Quase um terço dos emigrantes portugueses em Paris vivem no limiar da pobreza

Santa Casa da Misericórdia de Paris recebe cada vez mais pedidos de ajuda de emigrantes portugueses

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A base da Torre Eiffel surge encoberta pela poluição KENZO TRIBOUILLARD/AFP

O papel da instituição que celebrou este ano o vigésimo aniversário continua a ser relevante porque “há cada vez mais pedidos de ajuda”, acrescentou Carina da Silva, psicóloga e voluntária no serviço de permanência e atendimento da Santa Casa. “Todos os casos são marcantes porque encontramos pessoas que estão numa situação de grande necessidade. Trata-se de uma crise de subsistência que coloca em causa a própria subsistência da pessoa por não ter onde viver, não ter onde dormir, não ter o que comer, não ter onde trabalhar”, descreveu Carina da Silva, sublinhando que “há mais pedidos de pessoas que chegaram recentemente” ainda que também haja de “pessoas que estão cá há muito tempo”.


Cerca de 200 pessoas inscreveram-se na corrida de angariação de fundos, como o deputado socialista eleito pelo círculo da Europa, Paulo Pisco, que decidiu correr oito quilómetros “pelo respeito, pela consideração e pela necessidade de dar visibilidade à causa solidária da Santa Casa da Misericórdia”. “A Santa Casa ao longo dos anos tem desempenhado um papel que, muitas vezes, o Estado português não tem conseguido desempenhar, substituindo-se ao Estado em muitos casos de ajuda aos portugueses que estão em dificuldades de vária natureza, quer aqueles que chegam, quer outros que cá estão, pessoas novas, idosas, pessoas que estão isoladas e até presos”, disse Paulo Pisco.


Também presente na iniciativa esteve o deputado social-democrata Carlos Gonçalves, que admitiu  que “o Estado não consegue, por si só, chegar a todos”, destacando, porém, a articulação da Santa Casa da Misericórdia com o Consulado-Geral de Portugal em Paris. Na corrida participaram também o cônsul-geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie, e outras personalidades da comunidade portuguesa.