• Acabei de ler Samuel Beckett's Library, em que Dirk Van Hulle e Mark Nixon espiolham o que resta da biblioteca de Beckett, lendo as marcas deixadas ou não deixadas por ele, à luz da obra dele e da vasta literatura crítica sobre ele.

  • Um governo que ignora que, sem investigação científica, um país está condenado a estagnar, é um governo que não serve.

  • Kishore Mahbubani, professor em Singapura e um dos teóricos da ascensão da Ásia, publicou em Abril um artigo que começava assim: “Mais de um terço da população mundial vive em apenas três países: a China, a Índia e a Indonésia. Ora, estes três países atravessam transições políticas importantes, seja na véspera ou imediatamente a seguir à designação de novos dirigentes. Os próximos vencedores das eleições na Índia e na Indonésia juntar-se-ão ao novo presidente chinês, Xi Jinping, no seu esforço para estimular o crescimento económico da região. O que, previsivelmente, levará a uma mais rápida ascensão da Ásia em direcção à supremacia económica mundial.”

  • Chegou no avião das duas da tarde e telefonou-me a chorar. Tinham-lhe dito que em Timor-Leste a língua oficial era o português, mas ninguém a compreendia. Precisava de dar indicações ao taxista, não percebia. Acabou à minha espera na receção de um hotel de Díli. Quando a encontrei correu para mim e abraçou-me a chorar. Mal a conhecia.

  • Quando D. Afonso II decidiu redigir o seu testamento em língua portuguesa, num acto propositado para marcar a diferença e realçar a independência do ainda jovem reino, não imaginou certamente o fenómeno viral que o seu acto comportaria e que oito séculos mais tarde Portugal já teria, por bem querer, abdicado da paternidade da sua própria língua. Esta impôs a diferença e cantou a independência, deixou de ser de uns e passou a ser de todos.