Prova de Português exige conhecimentos que não estão previstos para o 4.º ano

Parecer da nova associação de professores de Português identifica vários obstáculos no exame desta segunda-feira. A outra associação discorda

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Alunos do 4.º ano fizeram hoje exame de Português Mara Carvalho

Os textos propostos na prova de Português “exigiam o reconhecimento do uso metafórico de certos conceitos que, nitidamente, não estão definidos/previstos nos programas ou nas metas curriculares”, indica a Associação Nacional de Professores de Português num parecer enviado ao PÚBLICO.

Não foi o único obstáculo identificado. A associação chama a atenção para o facto de existirem dois exercícios, nas perguntas de interpretação, que “implicavam a escolha de mais do que uma opção certa”, o que pode gerar “alguns constrangimentos”, uma vez que “algumas crianças estão habituadas a escolher apenas uma resposta”.

No geral a associação considera que o exame “não apresentou um grau de dificuldade muito elevado”, embora esta premissa não se aplique aos textos propostos. Socorrendo-se de uma tabela de análise da dificuldade ou facilidade da leitura/compreensão de textos elaborada pelo perito norte-americano Rudolf Flesch, a associação concluiu que os dois textos escolhidos para esta avaliação apresentam “um score de legibilidade que se situa entre os níveis difícil e muito difícil”. Um dos textos é informativo ( As aves). O outro é um excerto de um conto de Hans Christian Anderson, O Rouxinol.

Já a Associação de Professores de Português (APP) considera que a prova de Português do 4.º ano “é interessante para um aluno que tenha um desempenho médio na leitura e na escrita” e que integra questões para as quais são precisas competência “que importa que todos os portugueses tenham”.

Num parecer enviado ao PÚBLICO, cita-se, como exemplos, os pedidos “para encontrar informação particular correspondente a um conceito, distinguir se uma palavra é nome ou adjectivo, compreender a sequência de acontecimentos de uma história e modificar coerentemente” o seu desenvolvimento. Apesar de a APP não concordar com as dificuldades apontadas pela nova associação de professores da disciplina, chama atenção para o facto de “muitas crianças que têm dificuldades específicas” acabam por soçobrar nas tarefas que são requeridas em provas como esta. “Para resolver este problema teríamos que desistir de ter um exame com regras iguais para todos” ou então este ser um teste que o professor poderia valorizar na classificação do aluno como entendesse ou de acordo com as regras da escola”, defende a APP. Assim como está, com um peso de 30% na classificação final, o exame “introduz muita agitação negativa nas escolas”, conclui-se

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