Novas tecnologias estão a mudar o tráfico de droga

Internet “está a abrir novas possibilidades a um ritmo notável e com um custo baixo”, indica novo relatório sobre o tráfico de droga na Europa.

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Portugal e Espanha continuam a ser as principais portas de entrada de cocaína na Europa Sérgio Azenha

 

Foi a primeira vez que estas entidades se aliaram para produzir um olhar sobre “o estado da arte”. O documento foi apresentado nesta quinta-feira, em Bruxelas. Na sessão, a Comissária Europeia dos Assuntos Internos, Cecilia Malmström, juntou-se ao director do Observatório, Wolfgang Götz, e ao director da Europol, Rob Wainwright.

O tráfico de droga é a principal actividade “da maior parte dos grupos de crime organizado”, alerta Rob Wainwright. Os esforços individuais de cada país "simplesmente não chegam" para acompanhar as mudanças, reconhece Cecilia Malmström.

O relatório retrata um mercado de natureza “polimorfa, dinâmica, fluida”. As rotas diversificaram-se e as organizações que nelas operam “estão mais propensas a ter uma visão multiproduto”.

Veja-se o exemplo da cocaína. Portugal e Espanha continuam a ser as principais portas de entrada, mas esta droga pode agora ser traficadas através da África e dos Balcãs Ocidentais. Apreensões significativas de cocaína registam-se já no Leste Europeu.

A Europa contrai-se, envelhecida e empobrecida, enquanto outras regiões emergem. O mercado de drogas ilícitas cresce com a urbanização nos países de baixo e médio rendimento com populações muito jovens. Neste momento, a procura de cocaína na América do Sul e de heroína na Ásia já é maior do que na Europa.

As organizações sediadas no noroeste europeu, indica o relatório, “continuam a desempenhar um papel fundamental na distribuição de quase todos os tipos de drogas”. No continente, persiste a produção de precursores químicos e de drogas sintéticas, mas também o cultivo intensivo de cannabis. A Europa, de resto, desempenha um papel crescente “na embalagem, comercialização e promoção” de novas substâncias psicoactivas.

O impacto da Internet

Para perceber o papel das novas tecnologias no mercado de drogas ilícitas bastará pensar na profusão de telemóveis. Os telefones móveis constituem “um meio de comunicação rápido e fácil que preserva o anonimato e reduz os riscos, uma vez que compradores e vendedores já não têm de se reunir num local pré-definido”. Agora, a Internet “está a abrir novas possibilidades a um ritmo notável e com um custo baixo”.

O controlo das actividades ilícitas na Internet “é extremamente difícil”. As questões de jurisdição são demasiado “complexas”.

“As oportunidades de comunicação providenciadas pela Internet começam agora a ter impacto no mercado de drogas. Isto está a acontecer muito depressa e deve ser encarado como uma ameaça potencial”, lê-se no relatório.

A Internet não é só um meio relativamente seguro para falar. Permite “obter informações sobre a produção e o uso de drogas”. Num instante, difundem-se tendências e know-how. Num instante, estabeleceu-se “um mercado totalmente novo para as ‘novas drogas’, substâncias psicoactivas não reguladas”.

Relacionado com isto tudo está a venda de medicamentos controlados e falsificados. A escala deste problema será ainda pequena. Considera-se, porém, que o desenvolvimento das tecnologias de pagamento seguro e de áreas restritas na rede pode mudar isso. Para já, polícias patrulham a Internet em busca de sites e trabalham em parceria com os emissores de cartões de crédito e outras entidades que providenciam pagamentos online.

 

 
 

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