Cartas à directora
O Panteão de Maria da Fonte
Maria da Fonte teria ficado encantada com a actual exaltação panteónica; também ela cria que as almas dos que não tivessem sido enterrados nas igrejas ficariam esquecidas no juízo final.
O único panteão que se justifica é o da memória de acesso amistoso e irrestrito, onde se possa recordar, conversar, ler, ouvir, virtualmente ressuscitar “aqueles que por obras valerosas são vão da lei da morte libertando...”.
Como é possível que neste tempo de rádio, TV, net et al se continue a querer louvar os eleitos depositando as suas cinzas naquela inóspita mastaba“inútil e despida, calva, informe, da natureza em tudo aborrecida, onde nem ave voa, ou fera dorme”, para onde creio que tanto Sophia como Salgueiro Maia ou Eusébio teriam recusado ser trasladados.
A memória dos nossos melhores merece ser honrada de forma mais calorosa que a exposição relicária.
H. Carmona da Mota, Coimbra
Quem aceita ser praxado, merece ser humilhado
A geração de meus pais não conheceu a praxe e a minha também não. Meus filhos e netos recusaram-se ás praxes. Os jovens que vão para as Universidades devem recusar as praxes e, se for preciso, devem dar uma sova no Dux que bem a merece. Os caloiros devem mentalizar-se para meterem os "doutores" na ordem. São homens e mulheres crescidos e não precisam da protecção dos papás e do Senhor Reitor. O Estado não pode substituir-se ao respeito que cada um deve ter por si próprio. Os rapazotes que aprendam a primeira lição universitária: têm de conquistar a sua própria dignidade.
J.Carvalho, Lisboa
Que raio de democracia é esta?
Mas que direito tem um deputado de invocar a liberdade de consciência para votar numa matéria para a qual não tem mandato? Que raio de democracia é esta onde o povo cada vez que vota limita-se a passar cheques em branco aos eleitos que depois o preenchem como muito bem quiserem e lhes apetecer.
Não me reconheço nesta "putativa" democracia e não voltarei a votar enquanto não puder escolher o deputado que me representa. Nesse dia, esse deputado poderá invocar a liberdade de consciência para divergir do partido porque aqueles que o elegeram votaram naquele deputado porque sabem o que ele pensa e qual será o seu sentido de voto em assuntos que tenham a ver com questões de consciência.
Mas invocar a liberdade de consciência quando se foi eleito em lista imposta por partido de onde não consta sequer essa matéria do seu programa político é a distorção absoluta da democracia representativa.
Santana-Maia Leonardo, Abrantes