Há muitas interrogações sobre o desaparecimento do voo MH370

Os investigadores não conseguem explicar o que aconteceu aconteceu ao avião da Malaysia Airlines que desapareceu dos radares.

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Vista de um avião An-26 da Força Aérea do Vietname envolvido nas buscas do voo MH370 Kham/REUTERS

Não há registo de um aparelho desta dimensão (trata-se de um Boeing 777) alguma vez ter desaparecido. O caso mais próximo é o do Air France 447 que se despenhou no Atlântico em 2009 depois de ter descolado do Rio de Janeiro, mas os primeiros destroços foram detectados no mar no dia seguinte ao desastre. No caso de aviões pequenos, as buscas podem ser bastante mais demoradas e os destroços podem nunca aparecer. O caso registado de um avião desaparecido durante um longo período de tempo é famoso: um aparelho da Força Aérea do Uruguai despenhou-se nos Andes argentinos em Outubro de 1972 e ali permaneceu quase dois meses, até os sobreviventes (29 de início, 19 no final) serem resgatados.

Porque está a demorar tanto tempo a encontrá-lo?
Explica o jornal The New York Times que a cobertura dos radares não é universal, sobretudo quando a aeronave sobrevoa os oceanos. Nessas alturas, os aviões utilizam outros sistemas de navegação, transmitindo um sinal que permite determinar a sua posição recorrrendo a satélites, explica o diário britânico The GuardianOs pilotos têm, de X em X tempo, que comunicar via rádio a posição em que se encontram. Aparelhos como o Boeing 777 têm sistemas automáticos que enviam os dados do motor e de outras funções técnicas para uma base de manutenção (não para a torre de controlo que monitoriza a rota). Os investigadores podem usar estes dados para perceber onde se encontra o avião ou o que resta dele; esses dados ajudaram a encontrar o Air France 447, mas bastou um dia. O que quer dizer que: os sinais foram parados deliberadamente, houve uma avaria eléctrica total ou o avião desintegrou-se em pleno ar.

Onde estava o avião quando desapareceu dos radares?
O MH370 fez o último contacto com a torre de controlo uma hora depois de descolar de Kuala Lumpu. Sobrevoava o Mar da China do Sul, ia para Pequim e a rota iria fazê-lo passar pelo Vietname e Estreito de Malaca. Ia em velocidade e altitude de cruzeiro. Não estava longe da cidade malaia portuária de Kota Bharu (estava a 222 km da costa), mas encontrava-se já no espaço aéreo do Vietname.

As caixas negras dos aviões não têm um sinal que permite localizá-los em caso de acidente?
Têm, mas o sinal tem um alcance limitado e as buscas podem estar a ser feitas fora desse perímetro.

A que distância pode estar o avião do lugar do último registo?
Há muitas dúvidas sobre o local onde estará o aparelho. O protocolo determina que, perante um alerta, os pilotos devem pilotar, navegar e comunicar, por esta ordem. Manter o avião no ar é, então, a primeira prioridade. Mesmo com problemas nos motores, este modelo pode voar durante 20 minutos se os pilotos conseguirem controlá-lo. Sem motores, e estando inteiro, pode planar cerca de 145 km. Por esta circunstância — e por não se encontrar vestígios na zona da rota — as buscas foram alargadas. As buscas centraram-se primeiro na zona marítima entre a Malásia e o Vietname, mas agora realizam-se também na costa oeste da Malásia. O site FlightRadar24 tem um registo que mostra o MH370 a desviar-se do curso mas isso não prova que tenha mudado de rota, o que porém pode ter acontecido depois do último registo. Foi levantada a hipótese de o avião ter mudado o sentido de voo (voltado para trás?) e de poder ter passado a voar a baixa altitude.

Quem está a realizar as buscas?
Participam equipas de vários países: Auatrália, China, Estados Unidos, Filipinas, Indoinésia, Malásia, Nova Zelância, Singapura, Tailância, Taiwan, Vietname. Realizam-se buscas aéreas apoiadas por uma frota de 24 embarcações.

Quantas pessoas estavam a bordo?
227 passageiros e 12 tripulantes de várias nacionalidades: chineses (153), malaios (38), indonésios (7), australianos (6), indianos (5), franceses (4), americanos (3), neo-zelandeses, ucranianos e canadianos (2), russos, de Taiwan, italianos, holandeses e austríaacos (1). O passaporte italiano e o austríaco, já se sabe, tinham sido roubados na Tailândia e não eram os titulares que viajavam com eles. Um dado que fez levantar a possibilidade de o desaparecimento do avião ter sido um acto terrorista, mas essa hipótese começou a perder força ao conhecer-se a identidade dos passageiros suspeitos — dois homens iranianos que pretendiam continuar a viajar até chegarem ao país onde iria pedir asilo político.

O que aconteceu ao MH370?
Todas as hipóteses estão em aberto: acidente, erro humano, terrorismo. Até a possibilidade de o piloto ter derrubado intencionalmente o aparelho está em cima da mesa — já aconteceu duas vezes, nos casos dos EgyptAir, em 1999, e do SilkAir (Indonésia), em 1997. O que se sabe é que o B777 (modelo que chegou ao mercado em 1995) é um avião resistente e o único desastre que se conhece é recente, data de 7 de Julho de 2013 quando um aparelho da Asiana se despenhou ao aterrar em San Francisco (EUA); morreram três pessoas. O avião das linhas aéreas da Malásia tinha 11 anos de serviço e sofrera uma avaria, numa asa, em 2012.

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