Acordado cessar-fogo na Ucrânia a partir de domingo

Hollande fala em "acordo sério" nas negociações para pôr fim à guerra, mas sem consenso em todos os pontos. "Grandes obstáculos" ficaram por ultrapassar, admite Merkel.

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Merkel e Hollande no fim do encontro Grigory Dukor/Reuters

O chefe de Estado francês, que com a chanceler alemã, Angela Merkel, promoveu a cimeira de quarta-feira, que se prolongou pela manhã desta quinta na capital da Bielorrússia, considera que foi possível alcançar “um acordo sério”, mas diz que não houve consenso em todos os pontos.

Os líderes da Ucrânia, da Rússia, da Alemanha e da França assinaram uma declaração conjunta onde se comprometem a respeitar a soberania e integridade territorial ucraniana, assim como a reunirem-se regularmente para assegurar o cumprimento dos acordos de Minsk, lê-se num documento que o Kremlin distribuiu.

Hollande congratulou-se pelo “espírito sério [das negociações] mesmo se nem tudo foi ainda alcançado”, depois do acordo sobre um cessar-fogo e uma “resolução política global” do conflito que se arrasta há dez meses e já fez mais de 5300 mortos.

“Todas as questões são tratadas neste texto que foi assinado pelo grupo de contacto e pelos separatistas”, afirmou ainda o Presidente francês, numa declaração conjunta, ao lado da chanceler alemã.

O Grupo de Contacto, que estava reunido em Minsk desde terça-feira, e cujas negociações decorrem em paralelo à cimeira de líderes, junta enviados russos, ucranianos e responsáveis da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa). Foi este grupo que assinou com os rebeldes separatistas este plano de paz.

“O Grupo de Contacto assinou o documento que preparámos com grande tensão”, diz Poroshenko, no final de mais de 16 horas de negociações. “O mais importante é termos concordado que de sábado para domingo vai ser declarado um cessar-fogo geral sem quaisquer condições”, afirmou ainda, em declarações aos jornalistas.

Segundo Poroshenko, há no documento assinado um compromisso para a retirada de todos os militares estrangeiros da Ucrânia. Trata-se do segundo ponto do texto, que impõe a saída dos combatentes e das suas armas pesadas, permitindo assim a criação de uma zona desmilitarizada com 50 a 70 quilómetros – mais do que os 30 quilómetros previstos no acordo assinado a 19 de Setembro (e que nunca foi posto em prática).

Os ucranianos devem retirar-se a partir da linha da frente actual, enquanto os rebeldes devem recuar para trás da linha existente em Setembro – esta evoluiu em função das vitórias militares mais recentes, o que explica o aumento da dimensão da zona tampão.

Os dirigentes separatistas pró-russos felicitaram-se com a assinatura do acordo. “Abre a porta a “uma solução pacífica e ao desenvolvimento das repúblicas de Donetsk e Lugansk”, defendeu o dirigente da autoproclamada República de Donetsk, Alexandre Zakhartshenko. “Não podemos não dar esta oportunidade à Ucrânia”, afirmou, por seu turno, o líder rebelde de Lugansk, o outro bastião dos separatistas.

“Depois de 17 horas, as negociações em Minsk terminaram: um cessar-fogo entrará em vigor nos primeiros minutos de dia 15, depois começara a retirada do armamento pesado. Nisto se concentra a nossa esperança”, escreveu no Twitter o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert.

Merkel afirmou “não ter ilusões”, admitindo que há ainda “grandes obstáculos” a ultrapassar para garantir o fim do conflito. “O mais importante é que Moscovo e Kiev acordaram um cessar-fogo… reforçámos o acordo de Setembro”, comentou o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão num comunicado. “Para alguns, isto não será suficiente. Nós também desejávamos mais, mas isto nisto o que os presidentes da Ucrânia e da Rússia conseguiram pôr-se de acordo”, diz Frank-Walter Steinmeier.

Hollande, Merkel e Poroshenko vão pedir aos restantes Estados da União Europeia que apoiem o plano de Minsk, disse o chefe de Estado francês. Esta quinta-feira decorre em Bruxelas uma cimeira europeia. 

Catorze civis e dois soldados foram mortos nas últimas 14 horas em combates no Leste da Ucrânia, anunciaram tanto as autoridades ucranianas como os separatistas. Mas Kiev diz ainda que enquanto decorria a cimeira de Minsk entravam no seu território tanques e armas pesadas: segundo o porta-voz militar Andri Lissenjo, “uns 50 tanques, 40 lança-rockets e outros tantos blindados atravessaram a fronteira no posto de controlo de Izvarine”, na região de Lugansk, no Nordeste do país.

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