Obras para requalificar piscina do Campo Grande arrancam quarta-feira

Ingesport e Câmara de Lisboa vão lançar a "primeira pedra" para a requalificação da histórica piscina, fechada há dez anos e sucessivamente vandalizada. Reabertura está prevista para o próximo Verão, mas da obra de Keil do Amaral pouco ficará.

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Já em 2012 se notava o resultado de anos de abandono e vandalismo na piscina do Campo Grande Dário Cruz/Arquivo

A cerimónia que marca o arranque dos trabalhos, marcada para as 11h30 junto às instalações da piscina situada em frente à Biblioteca Nacional, na parte sul do Jardim do Campo Grande, vai contar com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e do presidente do Conselho de Administração da Ingesport, Gabriel Sáez.  

Foi em Fevereiro de 2011 que a autarquia anunciou que as piscinas do Areeiro, Campo Grande e Olivais iriam ser convertidas em ginásios com spa e piscinas, por empresas privadas às quais foi concessionada, através de um concurso público internacional, a requalificação e exploração daqueles espaços, durante 35 anos. A Ingesport ficou com as piscinas dos Olivais (reabertas em Fevereiro deste ano) e do Campo Grande. A galega Sidecu ficou com a do Areeiro (reaberta em Abril passado). Em troca, as empresas pagam as obras de reconversão, no valor total de 22,5 milhões de euros, e têm de transferir 3% dos lucros anuais para a câmara.

Há quatro anos, o executivo municipal, então presidido por António Costa, previa a reabertura dos equipamentos desportivos para o Verão de 2012, mas o prazo foi sendo adiado. Nesse ano, o ex-autarca alegava que um dos factores que atrasou o processo foi o aumento do IVA de seis para 23% na prática de actividades físicas e desportivas.

Mas no caso da piscina do Campo Grande houve outros motivos para o atraso. “Havia uma negociação pendente, que se prolongou, e que teve a ver com o estacionamento”, diz ao PÚBLICO Gabriel Sáez. A Ingesport acrescentou ao projecto inicial a criação de uma zona de parqueamento associada à piscina, até aqui inexistente. Em cima da mesa esteve a hipótese de construir um parque subterrâneo e outro à superfície, mas a solução escolhida acabou por ser diferente: as instalações desportivas vão ser servidas por 185 lugares de estacionamento à superfície repartidos entre um espaço em frente à Biblioteca Nacional e outro na lateral oposta do jardim.

“No futuro o parque poderá vir a ser subterrâneo, como existe um projecto para alterar aquelas vias, mas para já vai ser só de superfície”, diz o director para Portugal da Ingesport, João Galileu.

Com uma área total de mais de 6200 metros quadrados, o novo equipamento, que integrará a cadeia de ginásios Go Fit, terá quatro salas para aulas de grupo com mais de 900 metros quadrados, uma sala de fitness, três piscinas cobertas interiores (para natação livre, aulas e spa), um circuito hidrotermal, balneários, serviços para crianças, consultas de nutrição, estética e massagem. Segundo a Ingesport, serão criados 40 postos de trabalho directos e 20 indirectos. Está prevista a inscrição de 10 mil utilizadores.

“Nos Olivais esperávamos 11 mil e temos 13 mil”, diz João Galileu. “Estamos encantados com os Olivais”, reforça Gabriel Sáez, acrescentando que acredita num êxito semelhante no Campo Grande. “Acreditamos que os lisboetas vão continuar a dar-nos a sua confiança”, diz o presidente da Ingesport.

De acordo com os dirigentes, as obras que agora começam não irão condicionar o trânsito naquela zona da cidade e deverão estar prontas dentro de 11 meses, a tempo de abrir ainda no Verão de 2016. “Os trabalhos vão coincidir com os do projecto de requalificação do jardim [a cargo do vereador com o pelouro dos Espaços Verdes na Câmara de Lisboa, Sá Fernandes], que devem começar em Fevereiro de 2016”, adianta João Galileu.

Pouco fica da herança de Keil do Amaral

Da antiga piscina projectada no início dos anos de 1960 por Francisco Keil do Amaral – uma das grandes figuras da arquitectura portuguesa, que desenhou o próprio Jardim do Campo Grande –, pouco fica para a posteridade. "As instalações existentes [piscina e balneários] não têm qualquer aproveitamento, uma vez que vamos construir uma instalação multifacetada, muito diferente da que existe”, adianta João Galileu, afirmando que o novo espaço será “construído de raiz”, embora esteja prevista a preservação da cobertura dos balneários e de uma “pequena parte da fachada”.  

O equipamento foi encerrado em 2006 por, já na altura, se encontrar degradado. Naquele ano, o executivo municipal liderado por Carmona Rodrigues anunciou a intenção de o demolir totalmente (assim como às piscinas dos Olivais e do Areeiro) mas logo se ouviu um coro de protestos, em defesa do seu valor arquitectónico. Helena Roseta, actual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa e então presidente da Ordem dos Arquitectos, foi uma das principais adversárias da ideia. Em 2009, o director municipal do Desporto, Mário Guimarães, dizia que afinal no Campo Grande apenas seria demolido um "chapinheiro", um tanque de pequenas dimensões. Mas as obras que agora começam não deixam quase nada do projecto de Keil do Amaral.

  


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