Já sabe o que é um “zagueiro”?

Crónica “Passe de Letra”, uma outra forma de olhar o Mundial.

No jogo do Brasil contra o Chile, ao descrever a movimentação que antecedeu o único golo do anfitrião antes dos penáltis, dizia o relator: “Foi de zagueiro para zagueiro.” Referia-se ao toque de cabeça de Thiago Silva, que enviou a bola na direcção de David Luiz. Tudo isto se passou depois de um “escanteio” marcado por Neymar.

A bola entrou na baliza, no que parecia ser um autogolo de Jara, mas a FIFA atribuiu o golo a David Luiz por a “pelota” ter raspado na barriga do atleta brasileiro. Este final de episódio aconteceu na “zona do agrião” e foi assim que se chegou ao “placar franciscano”, no primeiro jogo das “oitavas”.

Traduzindo: “zagueiro” é um defesa-central; “escanteio” é um pontapé de canto, “a zona do agrião” corresponde à pequena área, a “pelota” é o esférico, “placar franciscano” significa que o marcador assinala o resultado em 1-0 e “oitavas” quer dizer oitavos-de-final.

Portugal e Brasil falam a mesma língua? Sim. Embora às vezes pareça que não.

Muitas expressões deste desporto usadas no Brasil já são conhecidas do grande público português, em parte graças a Scolari. “Time” (equipa), “goleiro” (guarda-redes) e “gramado” (relvado) não são novidades nem oferecem dúvidas.

Outras palavras nem tanto. Os adeptos de cá são os “torcedores” de lá; o prolongamento do jogo passa a “prorrogação”; o fora-de-jogo transforma-se em “impedimento”; a vedação de um campo é um “alambrado”.

Penálti e “pênalti” são a mesma coisa, só diferem na grafia. Mas diferenças de ortografia e acentuação entre o português de Portugal e o português do Brasil não são deste campeonato.

P.S. – Para descodificar alguns significados, recorreu-se ao artigo “O futebol falado diferentemente no Brasil e em Portugal”, de José Mário Costa e João Matias (Ciberdúvidas da Língua Portuguesa).

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