Os premiados 2013 do DocLisboa voltam a falar português

E Agora? Lembra-me , de Joaquim Pinto, é o grande vencedor da 11ª edição do festival de cinema documental. Gonçalo Tocha ganhou o concurso nacional com A Mãe e o Mar

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Joaquim Pinto no seu filme E agora? Lembra-me
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A Mãe e o Mar , filme de Gonçako Tocha

Depois de ter conquistado três prémios no festival de Locarno, E agora? Lembra-me, o diário da luta de Joaquim Pinto com um tratamento experimental contra a hepatite C, sagrou-se triunfador no Doc, com três estatuetas entre os quais o galardão máximo do festival, o Grande Prémio Cidade de Lisboa. Gonçalo Tocha, que venceu a competição internacional em 2011 com É na Terra, não É na Lua, ganhou este ano o prémio de melhor longa-metragem com A Mãe e o Mar, o seu olhar para as desaparecidas companhas femininas de pesca de Vila Chã.

O júri da competição internacional foi formado este ano pelas artistas Vera Mantero e Louise Wilson, pelo académico Philippe Dubois e pelo crítico Boris Nelepo, e presidido in absentia pelo realizador iraniano Mohammed Rasoulof. E escolheu premiar duas das grandes linhas condutoras da edição 2013: a dos documentários “na primeira pessoa”, que usam experiências pessoais para falar do mundo que nos rodeia, e as dos “filmes de memórias” que buscam no passado as raízes do presente.

E agora? Lembra-me é o “bloco de notas” de um ano de vida de Pinto, uma das figuras-chave da geração do cinema português revelada na década de 1980, e do seu companheiro, Nuno Leonel; longamente aclamado pela crítica internacional, o filme venceu ainda os prémios Universidades e CPLP (para o melhor filme de língua portuguesa das secções competitivas).

A menção honrosa foi para Sangue, onde o actor e encenador italiano Pippo Delbono parte das últimas semanas de vida da sua mãe para uma meditação sobre o passado, o remorso, a vida e a morte. E o Prémio Especial do Júri coube a Once I Entered a Garden, onde o israelita Avi Mograbi e o seu professor de árabe, Ali al-Azhari, evocam a multiculturalidade perdida dos territórios do Médio Oriente enquanto buscam traços das suas famílias.

A abordagem “na primeira pessoa” prolongou-se para o concurso nacional, julgado pela realizadora Teresa Villaverde, pela programadora Birgit Kohler e pelo programador Michael Renov. Em A Mãe e o Mar, encomenda do Curtas Vila do Conde, Gonçalo Tocha regista as recordações dos grupos de mulheres que saíam para o mar em Vila Chã, caso único no mundo.

A menção honrosa coube a Os Caminhos de Jorge, olhar de Miguel Moraes Cabral sobre um amolador da região de Braga; o prémio de melhor primeira ou segunda obra coube a Os Dias com Ele, onde a brasileira Maria Clara Escobar investiga o passado activista do seu pai, o académico Carlos Henrique Escobar. Os concursos de curta-metragens premiaram Tabatô, de João Viana (nacional), e Mauro em Caiena, do brasileiro Leonardo Mouramateus (internacional).

Num palmarés assaz honroso, foram ainda atribuídos quatro prémios por júris distintos. São eles Revelação (melhor primeiro ou segundo filme apresentado no concurso internacional e nas secções Investigações e Riscos: Eclipses, olhar sobre a Singapura moderna); Investigações, de entre os filmes apresentados naquela secção (Les Chebabs de Yarmouk, sobre jovens palestinianos num campo de refugiados sírio); Escolas, para a melhor longa da competição portuguesa (A Campanha do Creoula, videodiário de uma viagem científica às Selvagens); e o Prémio do Público para a melhor longa portuguesa (A Última Encenação de Joaquim Benite, exibido na secção Retratos).

Os filmes premiados serão repetidos durante o dia de hoje. O Grande Auditório da Culturgest mostrará A Mãe e o Mar e Tabatô (15h), e E agora? Lembra-me e Mauro em Caiena (21h), enquanto o Pequeno Auditório da Culturgest exibirá Eclipses (21h), o cinema São Jorge Os Dias com Ele (19h15) e o City Alvalade Les Chebabs de Yarmouk (19h15).

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