Passos Coelho diz que o cabo das tormentas da disciplina orçamental na ciência já foi dobrado

Primeiro-ministro considera que 2014 foi o ano de mudança e que se está a transferir mais recursos financeiros para a investigação científica do que antes.

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Pedro Passos Coelho Miguel Manso/Arquivo

Num discurso na segunda edição dos Prémios Santa Casa Neurociências, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, o primeiro-ministro assinalou o facto de o comissário europeu para a ciência ser o português Carlos Moedas, seu ex-secretário de Estado adjunto, e destacou a existência de um programa europeu com 80.000 milhões de euros destinados à investigação e inovação.

“Espero que o facto de o comissário europeu que tem a responsabilidade de gerir todo este programa à escala europeia ser português seja um estímulo para que em Portugal realmente nos possamos esforçar mais e chegar a um resultado mais satisfatório em matéria de projectos que possam vir a ser financiados por recursos europeus”, afirmou.

Antes, Pedro Passos Coelho referiu que “a ciência foi talvez das áreas em que a disciplina orçamental impôs menos reduções”, observando: “Se todos têm presente as grandes dificuldades por que passámos nestes anos, já envolve uma certa opção de natureza política ter feito com que a área da ciência tivesse sido menos afectada.”

Depois, o primeiro-ministro apontou 2014 como um ano de mudança: “Ao longo deste ano, podemos mesmo dizer que invertemos essa tendência que vinha desde 2009 e conseguimos executar do lado da Fundação para a Ciência e a Tecnologia mais recursos financeiros do que nos anos anteriores”, disse o primeiro-ministro referindo-se à principal instituição financiadora do sistema científico português, tutelada pelo Ministério da Educação e Ciência. “O que significa, portanto, que já dobrámos o cabo das tormentas em matéria de disciplina orçamental no que toca à área da investigação. A ideia, portanto, de que temos transferido muito menos recursos para a ciência não se conjuga com a realidade.”

Passos Coelho defendeu que cabe não só ao Estado mas também aos privados investir na investigação científica e que Portugal precisa de “muitos mais recursos” nesta área. “Mas então temos de saber aproveitar ainda melhor aqueles a que nos podemos candidatar no espaço europeu. Desse ponto de vista, é um desafio muito grande para todas as instituições poderem desenvolver uma rede, uma network, ainda mais extensa com outros centros de investigação ao nível do espaço europeu.”