Condenação à morte de adeptos de futebol no Egipto gera motins e já morreram 32 pessoas

Tribunal condenou participantes na violência que, em Fevereiro de 2012, matou 74 pessoas em Port Said, num jogo entre os clubes Al-Ahly e Al-Masry. O Exército está nas ruas desta cidade.

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Fãs do Al-Ahly. conhecidos como Ultras, celebram a sentença no Cairo Mohamed Abd El Ghany/REUTERS

O Governo deu ordem ao Exército para patrulhar Port Said e travar os confrontos. Entre os mortos estão dois polícias de uma prisão local. Os manifestantes escolheram a frente do estabelecimento prisional para se manifestarem, pois é lá que se encontram os 21 condenados à morte. De acordo com a Reuters, há 312 pessoas feridas.

A sessão do tribunal em que foi lida a sentença dos 21 presos foi transmitida em directo pela televisão, o que acelerou os acontecimentos. A 1 de Fevereiro de 2012, jogavam em Port Said os clubes Al-Ahly (do Cairo) e Al-Masry quando houve uma invasão de campo. A polícia não agiu, na altura, limitou-se a fechar as luzes do campo, o que provocou o pânico, e muitos adeptos do clube do Cairo morreram esmagados. Ao todo, morreram 74 pessoas.

 As penas de morte têm, agora, que ser confirmadas pelo grande mufti (a maior autoridade religiosa do país).

Na capital egípcia, a sentença foi celebrada nas ruas, relatam as agências AFP e Reuters. Em Port Said - os condenados à morte são todos adeptos do clube local -, a resposta foi a violência. Na prisão estão mais 52 adeptos do Al-Masry (cujas sentenças serão conhecidas a 9 de Março) e os adeptos consideram que a violência no jogo foi instigada por adeptos do antigo Presidente Hosni Mubarak, tendo-se tratado de um confronto político e não de uma mera questão de violência clubística.

"Isto era necessário", disse Nour al-Sabah, cujo filho de 16 anos morreu. Os advogados de defesa disseram, no final da audiência em que foi lida a sentença, que se tratou de uma decisão política "para acalmar o público". "Não há provas em como estas pessoas tenham feito alguma coisa, pelo que não percebemos esta sentença", disse, citado pela BBC, um habitante de Port Said, Mohammed al-Daw. 

Das 26 pessoas que hoje morreram, dois eram futebolistas, diz a BBC: o ex-guarda-redes do Al-Masry Tamir al-Fahlah e Muhammad al-Dadhawi, jogador de um clube de uma divisão inferior de Port Said.

Esta vaga de violência em Port Said junta-se à que acontece no Cairo, onde desde sexta-feira há violentos confrontos entre partidários do Presidente islamista Mohammed Morsi, opositores e polícias e militares. Uma série de manifestações violentas marcaram, em várias cidades do país, o segundo aniversário da revolução que forçou Mubarak (que está internado num hospital militar à espera da repetição do seu julgamento) a abandonar o poder. Na sexta-feira morreram pelo menos sete pessoas em Suez e 450 ficaram feridas.
 
 
Notícia actualizada às 22h37: novo número de mortos e feridos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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