Estúdio de Ai Weiwei demolido em Pequim

O artista plástico e activista chinês publicou nas redes sociais vídeos que mostram uma escavadora a destruir o estúdio que mantinha numa antiga fábrica de Pequim.

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Reuters/JASON LEE
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O principal estúdio que o artista plástico e activista chinês Ai Wei-Wei mantinha na China, instalado numa antiga fábrica de peças de automóveis de Pequim, onde ainda se encontrariam várias das suas criações, terá sido desmantelado este fim-de-semana.

“Hoje começaram a demolir o meu estúdio em Pequim sem quaisquer precauções”, denunciou esta sexta-feira o artista no Instagram, onde colocou vários vídeos que mostram os trabalhos de demolição do edifício.

Segundo o seu assistente Ga Rang, Ai Wieiwei esperava deixar o estúdio em breve, já que o contrato de aluguer expirara no final de 2017, mas não terá conseguido retirar a tempo as muitas obras de arte que ali estavam armazenadas.

“Chegaram e começaram logo a deitar abaixo as janelas sem nos avisarem de nada, e ainda há tanta coisa lá dentro”, lamentou-se Ga Rang à agência francesa AFP. Se alguns dos vídeos publicados no Instagram mostram as máquinas a demolir paredes, outros, presumivelmente mais antigos, deixam ver o interior do espaço ainda cheio de obras de arte. 

Não é ainda totalmente claro, no entanto, se esta demolição visou directamente prejudicar os interesses de Ai Weiwei. As autoridades chinesas têm vindo a demolir outros edifícios da zona, e vizinhos do estúdio de Ai Weiwei disseram à AFP que já se sabia que a fábrica ocupada pelo artista estava marcada para ir abaixo.

Certo é que é já a segunda vez que um estúdio de Ai Weiwei sofre este destino, depois de também o seu espaço em Xangai ter sido demolido sem pré-aviso em 2011.

Durante algum tempo, o artista esteve nas boas graças do regime, tendo sido um dos principais responsáveis pelo desenho do Estádio Nacional de Pequim, conhecido como Ninho de Pássaro, que acolheu a cerimónia dos Jogos Olímpicos de 2008. Mas as suas relações com as autoridades chinesas começaram a deteriorar-se nesse mesmo ano, quando um violento sismo devastou a província de Sichuan, sepultando milhares de crianças sob os escombros de escolas que ruíram. Ai Weiwei tornou-se um dos grandes defensores das vítimas e respectivas famílias, criticando a corrupção do Governo e criando obras a homenagear as crianças mortas.

Em 2010 foi colocado em prisão domiciliária e em Abril do ano seguinte foi mesmo preso e esteve três meses em isolamento, acusado de evasão fiscal e bigamia. Depois de o libertarem, foi impedido de viajar, e só em 2015 lhe devolveram o passaporte. O artista tem vivido desde então em Berlim, mas já anunciou que deverá voltar mudar-se em breve, embora preveja manter o seu estúdio berlinense.

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