Abraço fez mais de 1200 testes rápidos de VIH. Nove deram positivo

Gonçalo Lobo lembra “ainda existe uma franja da população que não usa preservativo nas relações sexuais”. Nesta segunda-feira é Dia Mundial da Luta Contra a Sida.

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Muitos hesitam em fazer o teste rápido, sobretudo na "população de homens que têm sexo com homens" NFACTOS/FERNANDO VELUDO

Este projecto consiste na realização de testes rápidos para o VIH “com o devido aconselhamento pré e pós testes”, seguindo as linhas de recomendação do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e da Coordenação Nacional para a Infecção VIH e sida.

Os 1259 testes (13 foram repetições) foram realizados no Porto, Matosinhos, Leça da Palmeira, Maia, Espinho, Furadouro, Esmoriz, Cortegaça, Gandra, Vila nova de Gaia, Famalicão, Marco de Canavezes, Penafiel e Covilhã: 828 foram feitos em faculdades, 128 em ambiente recreativo, 111 em acções de rua, 118 em praias, 74 em gabinete.

Dois terços dos testes foram realizados a estudantes, 22% a trabalhadores, 6% a trabalhadores-estudantes, 3% a desempregados e 3% a reformados.
A maioria das pessoas que fizeram os testes (68%) tinha entre 18 e 25 anos, 17% entre 26 e 35 anos, 7% entre 36 e 45, 5% mais de 55 anos e 3% entre os 46 e os 55 anos.

Preservativo só “às vezes”
Os dados, divulgados a propósito do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, que se assinala na segunda-feira, revelam que apenas 19% utilizam sempre preservativo no sexo vaginal. Já 62% disseram que apenas usam “às vezes” e 15% nunca utilizam.

No caso do sexo oral, 67% disseram que nunca utilizam preservativo, 16% confessaram que usam “às vezes” e 6% utilizam sempre.
Questionados sobre se utilizam preservativo no sexo anal, 17% disseram que nunca usam, 14% às vezes e 13% sempre. Os restantes (56%) afirmaram que não praticam sexo anal.

Para o presidente da Abraço, Gonçalo Lobo, estes dados são preocupantes e indicam “cada vez mais a necessidade de trabalhar na prevenção. “É uma área em que Portugal tem vindo a apostar” e o número de casos tem vindo a diminuir, mas “ainda existe uma franja da população que não usa preservativo nas relações sexuais”.

O presidente da associação defendeu que tem de haver “uma intervenção contínua no âmbito da sexualidade que venha surtir efeitos da prevenção do VIH”.

1093 novas infecções em 2013
“Nunca existiu uma política concertada no âmbito da saúde para a prevenção na área do VIH, existem sim acções pontuais mas que não são levadas a cabo de modo contínuo e, quanto estamos a falar na questão da sexualidade, esta não pode ser tratada na pontualidade”, sustentou.

Por outro lado, “ainda há receio das pessoas fazerem o teste e, principalmente, pelos dados que tivemos relativos a 2013, isto acontece mais na população de homens que têm sexo com homens”.

“Hoje em dia reconhece-se que há uma necessidade de intervenção mais especializada junto de determinados grupos (...), o que não quer dizer que todos os outros estejam protegidos da doença” frisou, explicando que o que está em causa na transmissão desta doença são os comportamentos de riscos a que toda a população está sujeita.

O presidente da Abraço salientou a importância do Dia Mundial de Luta Contra a Sida para alertar novamente para este risco: “Nunca é demais, quando estamos a falar do campo da saúde, das pessoas se protegerem e de terem comportamentos adequados.”

Dados do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) referem que, em 2013, foram diagnosticadas 1093 novas infecções em Portugal.