Publicar um ebook em Portugal e lançá-lo no mercado universal nunca foi tão fácil

O grupo LeYa apresentou na terça-feira uma nova ferramenta que permite a qualquer pessoa publicar um ebook.

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A plataforma Escrytos será apresentada para a semana no Brasil Rui Gaudêncio

Mas a explosão da literatura e do mercado livreiro no universo digital veio mudar as regras do mercado, e publicar uma obra parece nunca ter sido tão simples (e barato). A autopublicação tornou-se a opção de cada vez mais autores. Portugal não é excepção e tem desde ontem um serviço online dedicado à autopublicação em português.

A aposta é na língua portuguesa e a iniciativa é da editora LeYa, que quer pôr mais pessoas a publicar, e para a semana começa a funcionar no Brasil. O projecto consiste numa plataforma que tem como nome Escrytos e que permite a qualquer pessoa editar gratuitamente uma obra em formato electrónico, tendo para isso apenas de se registar no site www.escrytos.com. A partir daí, é-lhe apresentada uma série de possibilidades, umas pagas outras não, que vão desde o desenho da capa do livro, ao tipo de letra e à promoção da obra (book trailer, press releases). E caso o autor esteja disposto a investir ainda mais, pode, mediante pagamento calculado através do número de caracteres, pedir aconselhamento editorial ou a própria revisão da obra.

"Com isto estamos não só a incentivar quem escreve como a criar mercado para os editores", disse na apresentação Isaías Gomes Teixeira, presidente executivo da LeYa, explicando que existe já uma carteira de editores, a trabalhar em outsourcing, que ficarão responsáveis pela revisão das obras. "Há muitos bons editores que estão no desemprego e que têm aqui uma oportunidade."

Depois de publicado, o livro ficará imediatamente disponível para venda nas várias lojasonline com que a LeYa tem parcerias, como a Amazon, a Google, a Apple, a Barnes & Noble, a Livraria Cultura, no Brasil, ou a Kobo, na Fnac.pt. "E mais parcerias são avaliadas diariamente", disse Isaías, acrescentando que a internacionalização dos autores é também uma das missões desta plataforma. "O número de livros que chegam aqui à LeYa é a prova de que existem muitos autores que querem ver os seus trabalhos publicados e por isso pensámos uma ferramenta para pessoas que gostam de escrever mas que não percebem nada [a nível informático ou de edição]", referiu o responsável, que não teme que a facilidade de publicação lhe afaste os escritores das editoras do grupo. "São máquinas diferentes", diz, admitindo que podem aparecer nesta plataforma obras que possam interessar depois à editora. 

Paulo Ferreira, consultor editorial da Booktailors, aplaude a iniciativa, mas alerta para a falta de um editor neste processo que ajude a seleccionar o que realmente interessa, já que qualquer pessoa pode publicar qualquer trabalho. "Este é o grande drama, a falta de um crivo, alguém que tenha lido o original e que lhe tenha acrescentado algum valor", disse ao PÚBLICO, explicando que "já há muita gente a escrever, é preciso é perceber se há público para ler."

Também José Afonso Furtado, ex-director da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian e especialista na área do livro, alerta para a multiplicação de títulos e a falta de regulação na publicação das obras. "No meio de um milhão de livros como é que se sabe qual é que vale a pena ler?", questiona Furtado. "É bom que continuem a existir editores tradicionais com um catálogo que actuem como mediadores", continua, ressalvando que a autopublicação já existe há muitos anos.

"Ainda é demasiado cedo para se poder avaliar o impacto disto no mercado, mas o futuro é por aqui, resta saber se é bom ou mau", diz Zita Seabra, directora editorial da Alêtheia Editores, que já há muito tempo tem um serviço de autopublicação através de impressão a pedido.



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