Insuficiência cardíaca. E o seu coração, como está?

A insuficiência cardíaca é uma síndrome frequente, com diagnóstico geralmente tardio e em que os internamentos são recorrentes. Controlá-la é essencial, a bem da saúde do seu coração.

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Considerada uma das principais epidemias do século XXI, a insuficiência cardíaca (IC) afecta mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de, nos últimos tempos, ter sido subdiagnosticada, começa, agora, a ter uma importância crescente na saúde pública. A taxa de internamento dos doentes com insuficiência cardíaca é alta, contudo, é possível ter uma vida sem grandes impactos, quando a doença se encontra devidamente controlada. É que um diagnóstico de IC não significa que o seu coração vai parar de funcionar de um momento para o outro.

Insuficiência cardíaca: o que é?

Antes de respondermos a esta questão, é importante perceber como funciona exactamente o nosso coração. Este órgão tem como principal função bombear o sangue, o qual “leva consigo o oxigénio e os nutrientes que permitem a cada célula do nosso corpo se manter viva e a desempenhar a sua respectiva função”, explica Carlos Aguiar, médico cardiologista no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa. A insuficiência cardíaca acontece quando o coração é “incapaz de bombear o sangue em quantidades suficientes para conseguir desempenhar estas funções”, acrescenta o especialista.

As causas para a IC podem dever-se a hábitos de vida pouco saudáveis, mas também devido a outras doenças, como a hipertensão arterial, a doença coronária ou doenças hereditárias do músculo cardíaco. Em Portugal, as causas mais frequentes para a IC são a cardiopatia hipertensiva e a doença coronária.

Será insuficiência cardíaca?

Por ter um quadro clínico pouco específico, a IC pode ser confundida com outras patologias. Muitas vezes, o diagnóstico é feito por exclusão, ainda que exista uma análise ao sangue que permite identificar a doença com grande probabilidade. Contudo, esta análise não está disponível na forma comparticipada nos cuidados de saúde primários.

Carlos Aguiar deixa uma dica que pode querer significar IC: “Quando alguém começa a notar que o mesmo lanço de escadas, a mesma rampa que fazia para o trabalho ou para casa, já não consegue fazer sem ter de parar a meio ou mais do que uma vez, com dificuldade em fazer a respiração para acompanhar esse esforço, isso é um sinal preocupante.”

Viver com IC

Se lhe foi diagnosticada insuficiência cardíaca, saiba que não está sozinho e que tal não significa que o seu coração lhe vai falhar de um momento para o outro. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 400 mil adultos com esta síndrome, a qual aumenta com a idade, sobretudo a partir dos 70 anos.

Sérgio Fonseca, de 56 anos, faz parte destes números desde 2020, quando, após um enfarte, foi diagnosticado com insuficiência cardíaca [Ver vídeo abaixo].

“Limparam ao máximo as artérias, mas houve uma que ficou danificada, daí a insuficiência cardíaca. Uma parte do coração que não ficou bem e que tem de ser compensada pelo resto do coração”, explica. Sobre o impacto que a IC tem na sua vida, o gestor informático responde: “Ou é muito ou é pouco. Porque tenho tido muito mais consciência em me alimentar bem, voltei outra vez à roda dos alimentos. Actualmente, tenho mais consciência daquilo que tenho de fazer em termos de horas de sono e da responsabilidade que tenho de ter para comigo, para estar sempre bem.”

“O lugar do coração é em casa”

Num estudo promovido pela Spirituc Investigação Aplicada, em parceria com a Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca (AADIC), com o apoio da Bayer, para o qual foram inquiridos (entre 21 de Junho e 23 de Dezembro de 2022) 117 residentes em Portugal Continental, com 50 ou mais anos e com insuficiência cardíaca, concluiu-se que cerca de 70% dos inquiridos teve, pelo menos, um episódio de descompensação da doença nos últimos 24 meses. E de todos os participantes, 21% teve mesmo de ser internado, numa média de dois internamentos por ano. Ainda assim, cerca de 81% dos inquiridos revelou sentir que a sua doença se encontra controlada. E o controlo da IC é um factor essencial para que o doente passe menos tempo no hospital. Mas para que tal aconteça, é importante que quem sofra de IC saiba cuidar do seu coração. Neste sentido, a Bayer lançou a campanha “O Lugar do Coração é em Casa”, para promover o aumento da literacia em IC e incentivar quem vive com insuficiência cardíaca a fazer as melhores escolhas para o seu coração, de forma a permanecer em casa, evitando os internamentos hospitalares. E “manter as pessoas [com insuficiência cardíaca] em casa é hoje mais possível do que o que era há uns anos”, salienta o cardiologista Carlos Aguiar.

Tratar do coração

A medicina tem vindo a evoluir e, bem assim, também os tratamentos para a IC. Contudo, no estudo desenvolvido pela Spirituc Investigação Aplicada, em parceria com a AADIC, com o apoio da Bayer, 35% dos inquiridos referiu ter expectativas na criação de medicamentos mais eficazes, de forma a melhorar a qualidade de vida e contribuir, também, para a redução do número de hospitalizações.

O tratamento é algo que depende apenas dos médicos, pois são eles que avaliam quais os melhores consoante cada caso, mas também é importante que quem sofra de insuficiência cardíaca cuide do seu coração. E para tal, não basta tomar a medicação nas dosagens respectivas e nas horas certas — o que, por si só, é bastante relevante. É preciso também:

  • Monitorizar os próprios sintomas: A alteração nos sintomas pode ser um sinal de agravamento da IC. Contacte o seu médico sempre que: aumentar de peso, a falta de ar agravar, tiver um maior inchaço nas pernas e tornozelos, os episódios de tonturas agravarem, sentir menos capacidade de fazer exercício físico, sentir uma dor persistente no peito, tiver a frequência cardíaca demasiado acelerada, tiver maior dificuldade em dormir.
  • Ter uma alimentação saudável: Reduza a quantidade de sal, álcool e gordura que consome. Dê primazia às frutas e vegetais, grãos integrais, produtos lácteos sem gordura ou com baixo teor da mesma e proteínas magras.
  • Praticar exercício físico: Não é por ter uma insuficiência cardíaca que o exercício físico lhe é proibido. Pelo contrário, ele é até recomendado, desde que seja ligeiro, de forma a aliviar os sintomas da IC e a melhorar o bem-estar. Pergunte ao seu médico quais os melhores exercícios para o seu caso.
  • Deixar de fumar: O tabaco danifica as artérias, aumenta a pressão arterial, reduz o nível de oxigénio no sangue e faz com que o coração bata mais rapidamente. Se não consegue deixar de fumar, peça ajuda médica.
  • Reduzir o stresse: Quando se está stressado ou ansioso, o coração bate mais depressa, a respiração torna-se mais pesada e a pressão arterial aumenta. O que pode levar a que o coração falhe, sobretudo quando se sofre de IC. Procure formas de reduzir os níveis de stresse, como a meditação, o relaxamento ou passar mais tempo com familiares e/ou amigos.
  • Dormir tranquilamente: Para quem sofre de IC, dormir bem é essencial. Por isso, tenha uma boa noite de sono.

E o seu coração, como está?

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