LGBT
Um arco-íris gigante saiu às ruas no mês do Pride — e coloriu-as de orgulho e clamores
Em 2021, activistas e apoiantes de todo o mundo voltaram a marchar para celebrar e exigir a defesa dos direitos LGBTI+. Esta segunda-feira, 28 de Junho, assinala-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT.
Em Junho de 2021, o orgulho queer regressou às ruas. Em Brooklyn, Sófia, Banguecoque, Washington, Jerusalém ou Varsóvia, activistas e apoiantes marcharam para defender a liberdade de orientação sexual, identidade e expressão de género, numa altura em que a luta pela causa foi reafirmada na Europa: em Budapeste, na Hungria, as bandeiras arco-íris foram levantadas também em protesto contra a proibição da divulgação de conteúdos LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexo e outras identidades), aprovada no Parlamento húngaro.
Na sequência da aprovação dessa lei, a autarquia de Munique propôs, em protesto, que o Allianz Arena, estádio que recebeu o jogo entre a Hungria e a Alemanha, fosse iluminado com as cores da bandeira LGBT. Contudo, a UEFA não permitiu que a iniciativa avançasse, argumentando que “é uma organização política e religiosamente neutra”. Após a rejeição, vários estádios e edifícios alemães iluminaram-se com as cores do arco-íris, durante a partida entre as selecções.
O Governo português defendeu também, inicialmente, um “dever de neutralidade” em relação à lei anti-LGBT. No entanto, a 24 de Junho, Marcelo Rebelo de Sousa revelou que Portugal iria subscrever a carta aberta de repúdio contra a lei aprovada na Hungria, endereçada à Comissão Europeia, mas apenas a 1 de Julho, dia em que Portugal deixa de presidir à União Europeia. No mesmo dia, o primeiro-ministro assegurou: “Portugal tem uma posição clara e não é neutral. A posição de Portugal é de clara rejeição de qualquer prática discriminatória e, aliás, toda a legislação que nós fizemos foi precisamente para eliminar, não só as práticas discriminatórias, mas para combater as práticas discriminatórias e designadamente homofóbicas”. A carta aberta, redigida por iniciativa da Bélgica, conta já com a assinatura de 16 Estados-membros.
Em Portugal, a 22.ª edição da marcha do orgulho LGBTI+ desceria a Avenida da Liberdade, em Lisboa, a 19 de Junho, mas foi cancelada no próprio dia, depois de a DGS recomendar o adiamento para nova data. “Sentimos que a DGS demonstrou uma desconsideração pelas sucessivas tentativas de contacto para planeamento de uma marcha política segura, e ainda um profundo desconhecimento sobre a sua natureza e o que esta representa para a nossa comunidade”, afirmou a organização da que seria a 22.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, em comunicado. Mais a Norte, em Aveiro, a Marcha pelos Direitos LGBTI+ saiu a 12 de Junho. No Porto, o encontro está marcado para 3 de Julho e, em Braga, para 17 de Julho.
As manifestações do orgulho LGBTI+ acontecem em Junho impulsionadas pela chamada Revolta de Stonewall, na madrugada de 28 de Junho de 1969. Nessa noite, a polícia nova-iorquina invadiu o Stonewall Inn, um bar muito frequentado por homens gays, lésbicas e pessoas trans, que, pela primeira vez, ripostaram. Expulsaram a polícia do bar e iniciaram uma vaga de manifestações que deram visibilidade à luta pelos direitos LGBTI+. Esta segunda-feira, 28 de Junho, assinala-se, por isso, o Dia Internacional do Orgulho LGBT.