Marcelo diz estar acima de guerras entre partidos e entre oposição

Para Marcelo, “o Presidente da República assiste a essa guerra, mas não faz parte" dela e sempre que alguém o utilizou "como arma de arremesso nessas guerras não ficou bem, saiu-se mal”.

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Marcelo contente com saída do procedimento do défice excessivo LUSA/JOSÉ COELHO

No mesmo dia em que Maria Luís Albuquerque, vice-presidente do PSD, disse que Marcelo Rebelo de Sousa não é uma entidade independente e técnica", o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse estar “acima das guerras” entre partidos, entre oposição e Governo e entre confederações, reforçando que sempre que alguém o utilizou como arma de arremesso "saiu-se mal".

“Eu tenho dito sempre quando há comentários de candidatos autárquicos, no caso é uma candidata autárquica [Maria Luís Albuquerque], dirigentes partidários ou de confederações patronais ou sindicais digo sempre o mesmo: o Presidente da República está acima dessas guerras”, afirmou o chefe de Estado quando questionado sobre o facto da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque ter dito que não é uma entidade independente e técnica.

À margem de uma visita à Feira Nacional de Olivicultura, em Valpaços, no distrito de Vila Real, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que essas “guerras” são naturais, sobretudo em ano eleitoral, mas vincou estar acima disso porque não é de um partido contra outro partido, nem é de uma confederação contra outra confederação.

“O Presidente da República assiste a essa guerra, mas não faz parte dessa guerra e sempre que alguém utilizou o Presidente da República como arma de arremesso nessas guerras não ficou bem, saiu-se mal”, frisou.

O chefe de Estado reforçou que não tem de ter um partido, não tem de ter uma confederação patronal ou sindical, tem sim de pensar nos portugueses porque foi para isso que foi eleito. “O Presidente da República foi eleito para representar todos os portugueses e não quer por no Governo a,b ou c, nem quer dar razão à confederação a, b ou c, quer é pensar no que é melhor para os portugueses”, salientou.

Essas lutas fazem parte da vida política, considerou, sublinhando que tendo os partidos, os candidatos e as confederações de lutar pela vida, têm de deixar o Presidente da República de fora desse tipo de lutas.

“Há meses também houve dirigentes do PS, do PCP e da CGTP que criticaram o Presidente, faz parte do jogo partidário, nomeadamente em ano eleitoral”, entendeu.

Boas notícias no Verão

Marcelo também afirmou hoje que se Portugal sair do Procedimento por Défice Excessivo antes do Verão será o primeiro a ficar feliz e será uma satisfação patriótica.

“Espero que sim, mas ninguém tem a certeza, vamos ver, se vier é uma grande alegria, eu sou daqueles que ficam felizes com aquilo que é bom para o país, acho que todos os portugueses devem ficar felizes se Portugal sair do processo de défice excessivo”, disse o Presidente da República à margem de uma visita à Feira Nacional de Olivicultura, em Valpaços, no distrito de Vila Real.

O chefe de Estado reforçou que há um ano não era líquido que isso acontecesse, tendo gente “muito qualificada e inteligente” dito que matematicamente era impossível, mas na verdade foi possível chegar a esse défice. “Agora haverá saída ou não haverá saída”, questionou, sublinhando que se houver saída será o primeiro a ficar feliz, será uma satisfação patriótica.

“Acho que todos os portugueses devem ficar felizes porque devem puxar o país para cima e puxar o país para cima é dizer que fizemos bem isto e ainda bem que fizemos, sem nos deslumbrarmos”, acrescentou.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que "tudo indica" que Portugal vai sair do Procedimento por Défice Excessivo antes do Verão, sustentando que o país se encontra em pleno processo de "viragem".

António Costa manifestou esta convicção sobre a futura decisão das instituições europeias em relação a Portugal na abertura de um jantar da Câmara do Comércio Luso-Colombiana, em que tinha entre os convidados o antigo ministro social-democrata José Pedro Aguiar-Branco.