Regresso à ortografia, com toda a “látea” deste mundo

Embora haja quem lho queira tirar, só à força a Via Láctea perderá o seu C.

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Lembram-se das Guerras do Alecrim e Manjerona, escritas por um grande dramaturgo que a Inquisição entendeu assar na fogueira depois de “santamente” garroteado, já lá vão quase 300 anos? Pois neste tempo em que as inquisições são outras, soprando fogueiras digitais de fogo-fátuo, bem poderia alguém escrever acerca das Guerras do Leite e da Lata. O assunto já foi tema de uma destas crónicas, em 2016, mas impõe-se voltar a ele, agora reacendido por dois títulos recentes. Quem neles reparou foi alguém que continua muito atento às coisas da língua portuguesa e aos seus dilemas, o professor João Esperança Barroca. Vejamos. O primeiro é um livro de uma autora portuguesa, editado em 2020 pela Cordel D’Prata, com o título O Canto da Via Látea. O segundo é uma notícia publicada pela TSF em Novembro de 2023, com o título “Telescópio James Webb capta imagem do coração da Via Látea com contributo português”. No texto, faça-se-lhe justiça, lemos correctamente “Via Láctea”, mas no título subtraíram-lhe o C.

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