Ministra da Administração Interna manda recolher 81 viaturas de bombeiros

Em causa está um lote de viaturas adquiridas graças ao PRR e no qual estava incluído o veículo envolvido num despiste que causou a morte a um bombeiro de Odemira.

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A ministra esteve presente no funeral do bombeiro da corporação de Odemira, que decorreu nesta segunda-feira Nuno Veiga / LUSA
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A ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, mandou que fiquem paradas as 81 viaturas entregues a diferentes corporações de bombeiros, de um lote em que se inclui o veículo dos bombeiros de Odemira envolvido num acidente que acabou por causar a morte a um elemento da corporação. A informação foi avançada pelo Jornal de Notícias e foi confirmada ao PÚBLICO pelo presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal, António Nunes.

“Foi uma decisão avisada, considerou aquele responsável, para quem, dada a situação de alarme criada nas corporações de bombeiros sobre a segurança das viaturas [desde o despiste], não havia outra forma de lidar com a situação. O representante dos bombeiros enfatiza, de resto, que o facto de as viaturas estarem paradas não levanta por enquanto grandes problemas operacionais. São viaturas de combate a incêndios florestais, lembra.

A ordem para manter as viaturas recolhidas chegou às corporações através dos comandos sub-regionais de Emergência e Protecção Civil, numa comunicação em que se refere que, “por determinação da ministra da Administração Interna, todas as viaturas afectas ao PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] devem recolher aos parques das entidades [corpos de bombeiros] até nova indicação”.

As 81 viaturas foram adquiridas graças ao PRR e no primeiro lote entregue encontrava-se o veículo de combate a incêndios envolvido num despiste, no passado dia 1 de Janeiro, quando cinco bombeiros de Odemira regressavam ao quartel, depois do combate a uma queimada descontrolada. Todos os ocupantes sofreram ferimentos, que foram graves em quatro deles e acabariam por provocar a morte de Dinis Conceição, de 38 anos.

Posteriormente, foi noticiado que a viatura tinha uma anomalia já identificada e que estava mesmo marcada uma revisão, para que fosse corrigida. Ao PÚBLICO, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil confirmou que se encontra a decorrer um processo de inquérito” relacionado com esta situação, recusando-se, por isso, a prestar mais esclarecimentos. A ordem para manter as restantes viaturas paradas dever-se-á manter até que sejam conhecidas as conclusões sobre os motivos do acidente.

O JN indica que, já nesta segunda-feira, várias corporações de bombeiros enviaram os veículos em causa para a empresa que deverá verificar a existência de anomalias.

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