Iave obrigado a corrigir erro a meio da prova para professores de Português

O Instituto de Avaliação Educacional admite aquilo a que chama "omissão", mas que obrigou a conceder mais 30 minutos de tolerância aos docentes e a dar-lhes a oportunidade de reformular uma resposta.

Foto
Só três professores entre 45 mil candidatos conseguiram vínculo ao ministério Nelson Garrido

Ao fim da noite, no sítio da internet do IAVE, a questão 1 da parte II da prova já aparecia corrigida: “Considere um dos textos narrativos literários contemplados no Programa do Ensino Básico ou nas Metas Curriculares de Português – Ensino Básico. Escolha um desses textos e exponha fundamentadamente por que motivo o considera uma boa opção para analisar os elementos constitutivos da narrativa com alunos do 1.º ou do 2.º ciclo. A sua resposta deverá ter a extensão de 180 a 240 palavras”. O enunciado que foi distribuído aos docentes, contudo, referia-se apenas ao 2.º ciclo, cujo programa e metas não tem de ser conhecidos pelos candidatos ao grupo de recrutamento n.º 310, que se candidatam a dar aulas ao 1.º ciclo, e que constituiam parte dos destinatários do teste.

“Ao ler a prova (…) tive de respirar bem fundo para manter a calma e controlar a ansiedade (…). Respirei e voltei a respirar. Depois de me acalmar iniciei e concluí a prova, respondendo a essa  questão da melhor maneira que  consegui (…)", relata, no blogue de Arlindo Ferreira, um docente que escreve sob anonimato. Segundo a mesma pessoa, os professores que estavam a realizar a prova de português nível I foram informados de que teriam 30 minutos de tolerância, mas chegaram a ter autorização para sair. Só depois disso chegou a segunda parte da informação: a de que poderiam reformular a resposta, tendo como referência uma obra do programa do 1.º ciclo.

“Como podemos reformular, quando sentimos que todos os limites foram ultrapassados? (…) Chorei (…)”, descreve a mesma pessoa, acrescentando que nenhum dos professores que estavam na sala corrigiu a resposta já dada. Em grupos de professores no Facebook, ao fim da noite, eram referidos casos de escolas em que a informação da alteração de regras não chegou em tempo útil, o que o PÚBLICO não conseguiu confirmar.

A responsável pelo gabinete de imprensa do IAVE confirmou aquilo que disse não ser "um erro, mas sim uma omissão”, mas desvalorizou a gravidade da situação, referindo que “são coisas que acontecem” e que “o problema foi resolvido de acordo com o Júri Nacional da Prova”. “Podemos garantir que nenhum professor será prejudicado”, assegurou.

A mesma assessora de imprensa disse não ter informações, naquele momento, sobre outro erro que a Fenprof considera “grave”, na correcção elaborada pelo IAVE para a prova destinada aos professores de Filosofia do secundário, que foi realizada na quarta-feira.

Em causa está a resposta ao item 8. Um professor de Filosofia do Ensino secundário confirmou ao PÚBLICO que o erro existe. Nesta pergunta de escolha múltipla, com base num excerto de Stuart Mill, pede-se  aos professores que identifiquem qual a teoria que o utilitarismo propõe. Na correcção do IAVE assinala-se que a resposta certa é a apresentada pela alínea a) “da obrigação e do bem”. Tanto o professor contactado pelo PÚBLICO como a Fenprof asseguram que “a resposta correcta é a apresentada pela alínea C". Nesta afirma-se que a teoria proposta pelo utilitarismo de Mill é a “do prazer e da felicidade”.

Os professores que estão a fazer as provas específicas, que terminam nesta sexta-feira, tiveram de obter aprovação na componente comum da PACC. Se não obtiverem classificação positiva nesta segunda fase de testes não poderão candidatar-se a dar aulas no próximo ano lectivo. 

Sugerir correcção
Ler 12 comentários