Fernando Seara, o candidato que não vai para Lisboa “fazer de conta”

Passos e Portas entraram na campanha eleitoral por Seara, que nesta quarta-feira recebeu a luz verde do Tribunal Constitucional para formalizar a candidatura à capital. Decisão final só deve ser conhecida no final do mês

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Seara apadrinhado por Portas e Passos Coelho Miguel Manso

Foi um dia de luz verde para a candidatura de Fernando Seara à Câmara de Lisboa. O Tribunal Constitucional deu um sinal positivo e o PSD e o CDS apadrinharam a corrida com figuras de primeira linha: Passos Coelho e o presidente do CDS, Paulo Portas. E até Manuela Ferreira Leite desejou “felicidades” em vídeo. Porém, foi o também vice-primeiro-ministro que disse a frase que soou como música para os ouvidos dos vários dirigentes da maioria presentes na sala da Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa: “Chegou finalmente a hora em que o destino de Fernando Seara é decidido nas urnas e não nos tribunais.”

Hoje, o Tribunal Constitucional classificou como urgente o recurso do actual autarca de Sintra para entrar na corrida à maior câmara do país e decidiu suspender a decisão do Tribunal da Relação que impedia a sua candidatura.

Menos optimista do que Seara, o dirigente do Movimento Revolução Branca (MRB), Pedro Pereira Pinto, que já interpôs 13 providências cautelares contra autarcas com três mandatos, considerou que a decisão dos 13 juízes do Palácio Ratton “decorre da lei” e, por isso, era “expectável”. Mas nada indicia sobre a resposta final que será dada à lei de limitação de mandatos. “O Tribunal Constitucional ainda não se pronunciou sobre a lei de limitação de mandatos, o que só deverá suceder no final de Agosto”, pelas contas do advogado do MRB. Pelos cálculos de Pereira Pinto, os tribunais de primeira instância terão até 11 de Agosto para decidirem se aceitam as candidaturas e pode então ser interposto recurso para os tribunais superiores. “Fernando Seara está legitimado para apresentar a sua candidatura. Mas nada garante que seja aceite”, conclui o advogado.

O autarca de Sintra durante três mandatos voltou a garantir que estará com “os dois pés em Lisboa” durante oito anos e que não olha para conquista da capital como um trampolim político para outras aventuras. “Não sou candidato ao Parlamento Europeu nem a Belém”, disse. E apesar de reconhecer em António Costa, actual presidente, um "adversário poderosíssimo", lembrou que ganhou em Sintra contra todas as “expectativas e todos os vaticínios”, quando derrotou Edite Estrela em 2001. “Por que razão tantos se empenham para que não nos apresentemos ao eleitorado de Lisboa?” Medo, respondeu Seara. Medo de “perderem eleições, poder, influência e clientelas”.

Antes do candidato, Portas, primeiro, à hora de abertura dos telejornais das 20h, e Passos Coelho, depois, descreveram um homem que tem todas as qualidades que o momento e Lisboa exigem. Seara conseguiu fazer em Sintra o que é preciso fazer no país, disse o primeiro-ministro. “Uma verdadeira aposta de união dos portugueses” num caminho com dificuldades que não são, porém, intransponíveis”. Até porque, disse o líder do Governo, quanto mais difícil o combate, como o que se avista em Lisboa, “mais gozo” dá.

Portas lembrou que as autárquicas serão as primeiras eleições depois de o país estar sob “resgate”. Por isso não restam dúvidas ao parceiro de coligação: “É evidente que os cidadãos vão pensar duas vezes, não vão querer aventuras, [vão querer] gente de contas certas”. É essa a candidatura de Fernando Seara, disse Paulo Portas, é esse o espírito da coligação: “O nosso melhor hábito é a nossa ambição, é vencer eleições difíceis”.

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