Governo demite director nacional da PSP. Decisão foi por “exclusiva iniciativa” da ministra

O superintendente José Barros Correia foi informado que seria exonerado, esta segunda-feira, às 18h45 pela própria ministra que indigitou para o seu lugar o superintendente Luís Carrilho.

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José Barros Correia (à esquerda) tinha tomado posse em Setembro de 2023 Nuno Ferreira Santos (arquivo)
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A ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, exonerou o director nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), o superintendente José Barros Correia, que tinha tomado posse em Setembro de 2023.

Ao que o PÚBLICO apurou, antes de deixar as suas funções, José Barros Correia fez uma comunicação interna onde contou que a exoneração lhe foi comunicada, esta segunda-feira, pelas 18h45, pela própria ministra, sendo uma" decisão da sua exclusiva iniciativa".

Na mesma comunicação, José Barros Correia disse que, "depois de cerca de 40 anos de dedicação à Polícia de Segurança Pública, à segurança dos nossos cidadãos e a Portugal", iria passar "à situação de pré-aposentação".

"Exorto-vos para que continuemos, com todo o nosso profissionalismo, dedicação e entrega à causa pública, a cumprir a nossa importante missão e a merecer a confiança dos nossos cidadãos, que connosco podem contar", lê-se no fim da comunicação.

É preciso recuar quase duas décadas para encontrar um director nacional que tenha ficado tão pouco tempo à frente desta corporação. Entre 2004 e 2005, Branquinho Lobo também só conseguiu cumprir cerca de oito meses de mandato antes de apresentar a sua demissão do cargo.

O Ministério da Administração Interna emitiu esta segunda-feira um comunicado a informar apenas que a ministra, Margarida Blasco, indigitou o superintendente Luís Miguel Ribeiro Carrilho como novo director nacional da PSP.

Segundo o mesmo comunicado, "esta decisão de indigitação surge no âmbito da reestruturação operacional da Polícia de Segurança Pública, quer no plano nacional, quer no plano da representação institucional e internacional desta força de segurança pública".

Luís Carrilho é o comandante da Unidade Especial de Polícia da PSP desde 26 de Outubro de 2023. Antes, Luís Carrilho chefiou o serviço de segurança da Presidência da República (oficial de segurança do Presidente da República), desde 1 de Outubro de 2022.

Em 2017, Carrilho foi graduado em superintendente chefe, por despacho da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e nomeado conselheiro de polícia das Nações Unidas (UNPOL) e director da divisão de polícia no Departamento de Operações de Paz da ONU em 2017, tendo coordenado em 2018 e 2022 as reuniões do "UNCOPS - United Nations Chiefs of Police Summit".

A exoneração do director nacional da PSP junta-se a uma série de outras exonerações que o Governo tem promovido desde que tomou posse, nomeadamente a da provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Ana Jorge, e do director executivo do SNS, Fernando Araújo.

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