Portas não exclui referendo nem congresso sobre coligação

Ribeiro e Castro defendeu a concretização de uma nova AD

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Paulo Portas já prepara o programa eleitoral para legislativas Miguel Manso

Pedro Pestana Bastos, do Movimento Alternativa e Responsabilidade, corrente interna de oposição à actual direcção, desafiou Portas a fazer um referendo no partido sobre a coligação eleitoral para as legislativas. Em resposta, Portas considerou não ser este o momento para discutir o assunto, mas não excluiu nenhuma hipótese  - um congresso extraordinário, um conselho nacional exclusivo ou ainda um referendo.

Para Pedro Pestana Bastos, o timing seria precisamente este: “O PS tem um candidato a primeiro-ministro, o PSD tem um candidato a primeiro-ministro, só nós é que não sabemos se é Paulo Portas ou Passos Coelho”.

Com o lançamento de um gabinete de estudos do qual sairão propostas para a próxima legislatura, Portas quis mostrar que está pronto para qualquer cenário. Na reunião do passado sábado, a direcção conteve-se em defender expressamente uma ou outra hipótese.

Já o antigo líder do CDS, José Ribeiro e Castro, defendeu uma nova AD – à imagem da aliança entre Sá Carneiro e Freitas do Amaral – e considerou que a única razão para os dois partidos não a renovarem é estarem a preparar-se para fazer um acordo com o PS, segundo relatos feitos ao PÚBLICO.

A única figura de topo do CDS que mostrou maior desprendimento face à necessidade de uma aliança pré-eleitoral foi António Pires de Lima. O ministro da Economia recordou que o CDS nunca precisou de uma coligação para ter a sua própria identidade. E apontou como saudosa a AD de Sá Carneiro mas lembrou que o antigo líder do PSD já morreu.

Sem um calendário definido para as negociações com o PSD, o CDS lançou a construção do argumentário para, segundo Portas, poder “vencer” o PS pelas “boas ideias e boas propostas” e não apenas pelo fantasma dos “erros do passado”.

Um feriado civil, um religioso
Outro sinal de que o CDS já está a trabalhar nas suas propostas isoladamente é o compromisso já assumido por Paulo Portas de reavaliar os feriados em 2016, um ano antes do previsto. O líder do CDS aproveita, assim, a revisão obrigatória dos dois feriados religiosos suspensos em 2012 que teria de ser feita até 2017, à luz do acordo entre a Santa Sé e o Estado. A prioridade é a reposição do 1º de Dezembro e a esse feriado corresponderá a reposição de um outro feriado religioso. Uma simetria que Portas considerou ser “razoável”.  

Mas a questão dos feriados – que renasceu com o último 1 de Dezembro em que o líder socialista António Costa prometeu ser o último a ser celebrado sem ser feriado – vai continuar na agenda do CDS. Portas encomendou ao gabinete de estudos uma análise comparada das “pontes” com outros países e quer ter resultados até meados de Fevereiro do próximo ano. 

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