Mais de mil pessoas no funeral da corajosa Tugce

Comoção na cerimónia fúnebre de jovem alemã de ascendência turca que morreu depois de defender duas jovens de assédio de três homens.

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"Obrigado Tugce", "És a nossa heroína", "Tugce vive, agora como um anjo" ou "podia ter sido a minha filha" eram algumas das mensagens no funeral Ralph Orlowski/Reuters

Havia mais de um milhar de pessoas a acompanhar o cortejo fúnebre até à mesquita da pequena cidade, e a cerimónia foi transmitida em directo pelo canal de notícias NTV. A morte de Tugce Albayrak no dia em que fez 23 anos, e as circunstâncias que levaram à agressão fatal, deixaram a Alemanha mergulhada num debate que cruza a necessidade de coragem cívica com a o modelo de integração multicultural do país.

"Obrigado Tugce", "És a nossa heroína", "Tugce vive, agora como um anjo" ou "podia ter sido a minha filha" eram algumas das mensagens nas fitas das coroas de flores.

O ataque ocorreu a 15 de Novembro depois de, no interior de um McDonald’s na localidade (onde se juntam muitos jovens saídos das discotecas locais), Tugce ter sido a única a intervir numa cena de assédio de um grupo de homens a duas jovens que gritavam por ajuda da zona da casa de banho da cave do restaurante de fast-food.

Não é claro o que aconteceu depois disso, e as duas raparigas – que se especula que pudessem ser menores – só no início da semana contactaram as autoridades para prestar depoimento. Em todas as alturas  quer do assédio, quer já no estacionamento onde Tugce foi agredida , estavam presentes várias outras pessoas. 

O jornal de grande circulação Bild divulgou entretanto (apesar de um pedido da família para que as imagens não fossem mostradas) as filmagens da câmara de vigilância do parque de estacionamento do McDonald’s em que se vê o momento em que o agressor ataca a jovem – não se sabe se o que foi fatal foi a pancada na cabeça ou a queda no asfalto. Tugce caiu inanimada e não voltou a acordar do coma.

Não se sabe o que aconteceu na cave, porque aí não havia câmaras de segurança.

Na sexta-feira passada os pais de Tugce, dias depois de terem sido informados da condição irreversível da filha, decidiram desligar a máquina que a mantinha viva.

A política deteve um jovem de 18 anos de origem sérvia que confessou ter atacado Tugce, mas ainda não houve acusação.

Tem havido vigílias diárias em honra de Tugce, a heroína alemã. Quase 170 mil pedem, numa petição online, ao Presidente alemão, Joachim Gauck que atribua a medalha de mérito à rapariga – algo que o Presidente disse que ia considerar (a medalha não é atribuída a titulo póstumo).

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