PS/Algarve ainda a “banhos”, em águas políticas agitadas

Seguro e Costa foram ao Festival do Marisco testar popularidade, mas o que sobressaiu foram as divergentes na família socialista. O que se passa em Olhão é um retrato do país – zangas mal disfarçadas.

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António José Seguro à saída da sede do Partido Socialista para o encontro com o Presidente da República; automóvel de Passos Coelho a chegar ao Palácio de Belém; e Moreira da Silva, do PSD, ontem de manhã na última ronda negocial, na sede socialista do Largo do Rato RUI GAUDÊNCIO

É o que se passa na família Pina, em Olhão. António Pina, presidente da Câmara, é mandatário da campanha de António José Seguro na região. O pai, António Pina, ex-presiente da Região de Turismo do Algarve e antigo governador civil de Faro, apoia António Costa. Na casa de Mário Soares, a situação é idêntica. João Soares, eleito deputado pelo Algarve, apoia Seguro, o ex-presidente da Republica está com António Costa. Na passada terça-feira, durante a visita do presidente da Câmara de Lisboa ao Festival do Marisco, em Olhão, foram visíveis as zangas mal disfarçadas entre amigos.

A deslocação de António Costa ao festival, na noite dedicada ao fado, deu lugar a  inevitáveis comparações de apoios. António José Seguro também lá tinha estado no sábado anterior, mas com reduzida comitiva. “Esteve cá na qualidade de secretário-geral do PS – respondendo ao mesmo convite que foi feito aos dirigentes de todos os partidos políticos – não havendo por isso mobilização partidária”, justificou António Pina, colocando-se no papel de anfitrião.  

Quando chegou a altura de receber o outro candidato, ficou num posição desconfortável. Primeiro, hesitou em acompanhar a comitiva, chegando mesmo a pedir aos repórteres de imagem para não ser filmado. Depois acabou por assumir a liderança dos acontecimentos, quando sentiu que outros lhe estavam a retirar protagonismo. O ex-presidente da Câmara, Francisco Leal (que exerceu o cargo durante duas décadas) foi um dos que saltou para a ribalta. “Só estou aqui a ver se as coisas correm bem”, desabou Luís Graça, director da campanha de Costa, no Algarve.

No final, após fazer de “guia” na visita ao recinto, António Pina atirou: “Espero que volte cá para o ano, não venha só em campanha”. Quando chegou o momento de sentarem para jantar, cada qual seguiu o seu caminho. O autarca, com os convidados, ficou numa mesa frente ao palco, Costa e apoiantes numa outra, prudentemente colocada à distância para que não se cruzassem os olhares.  

 As divergências no Partido Socialista em Olhão, a maior concelhia do Algarve em número de militantes, reflecte, em certa medida, o ambiente que se vive nesta fase da campanha interna. O líder da concelhia, Carlos Manso, apoia Costa; o presidente da Câmara está com Seguro. As divergências entre grupos já não são apenas de politica nacional - não raras vezes, o presidente da concelhia tem manifestado divergências em relação à condução dos destinos do PS na munícipio. Por outro lado, Francisco Leal, tal como aconteceu com outras figuras históricas do PS aproveitaram as “directas” para reaparecer.

António José Seguro conta no Algarve com os apoios dos deputados Miguel Freitas e Jamila Madeira, mas também alguns “amigos” que discordam da forma como se desencadeou este processo no PS. Na última deslocação ao Algarve, no mesmo dia em que foi ao Festival do Marisco, o secretário-geral fez também uma visita ao Refúgio Aboim Ascensão em Faro.

Um dos socialistas que o acompanhou foi o antigo presidente da câmara da capital algarvia, Luís Coelho. “Estou aqui porque sou amigo dele, não concordo com o que se está a passar no Partido Socialista – isto vai deixar muitas feridas”, declarou ao PÚBLICO, ao mesmo tempo que enumerava “algumas qualidades” de António Costa.

Por outro lado, o presidente da Federação (distrital) do PS, António Eusébio, durante a apresentação da moção à recandidatura, declarou o apoio “pessoal” a António Costa, mas manifestou-se disponível para trabalhar com “qualquer um” que venha a dirigir o partido. No que diz respeito à recolha de assinaturas de simpatizantes, a candidatura de António Costa  é quem tem estado mais activa, com bancas montadas em vários pontos, em Faro. Na última semana, por ser tempo de férias, não tem havido grande movimentação. Nos próximos dias, promete Luís Graça, “voltamos a estar na rua”.

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