Fotógrafo do Libération está “um pouco melhor”, mas continua em "estado crítico"
Polícia de Paris continua a caça ao homem que semeou o pânico na capital francesa na segunda-feira.
“Ele estava num estado desesperado ontem quando foi hospitalizado no Pitié-Salpêtrière. Ele continua num estado crítico, mas permanece optimista”, explicou o director do jornal. “Continuo extremamente prudente porque ele foi gravemente ferido”, acrescentou, citado pelo Le Monde.
Segundo a rádio RTL, o jovem está “fora de perigo”, tendo-lhe sido removido o baço e uma parte de um pulmão.
Sobre o autor dos disparos mantêm-se ainda todas as dúvidas. A polícia parisiense continua à procura de um homem de cerca de 40 anos, que na segunda-feira usava uma gabardina verde-tropa e um boné. O “atirador louco”, como foi baptizado ao longo do dia pelos utilizadores das redes sociais (#TireurFou), terá sido o mesmo que, horas depois de ter entrado na recepção do Libération, se dirigiu para a zona de La Défense, distrito financeiro de Paris, e disparou contra a fachada de uma das duas torres do banco Societé Générale.
O mesmo indivíduo foi identificado como o homem que na sexta-feira tinha entrado na recepção da televisão BMF, e que depois de tirar dois cartuchos da sua arma, deitando-os para o chão, ameaçou: “Para a próxima, não vou errar."
Esta terça-feira, o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, garantiu "que as forças de segurança estão a procurar o autor dos crimes, sem descanso", de acordo com a AFP. Desde segunda-feira que centenas de informações foram recebidas pela polícia, de acordo com uma fonte citada pela AFP, apesar de o suspeito ainda não ter sido identificado. "É preciso verificar as informações e isso leva muito tempo, mas vai fazer-nos avançar", afirmou a mesma fonte.
A polícia publicou esta terça-feira uma nova imagem do suspeito, em que o homem aparece de frente.
A edição desta terça-feira do Libération, jornal conotado com a esquerda, traz na primeira página, em letras garrafais sob fundo branco, o seguinte: “Ele sacou de uma caçadeira e disparou, duas vezes”. No editorial com o título “Vamos continuar”, o director, sublinhou que “disparar num jornal é atentar contra a vida dos homens e das mulheres que apenas cumprem o seu trabalho”. “E contra uma ideia, um conjunto de valores que, entre nós, se chamam República”, acrescentou.
O jornal publica também um perfil do jovem baleado nas suas instalações. Sem revelar o nome, chamando-o apenas pela inicial C., o Libération descreve-o como alguém “talentoso, trabalhador e gentil”. A começar a sua carreira na fotografia de moda, aquela era apenas a segunda vez que C. estava nas instalações do Libération e preparava-se para realizar o primeiro trabalho para a revista Next, do mesmo grupo editorial. O jovem, recém-licenciado em Belas Artes em Toulon, preparava-se para assistir o fotógrafo Laurent Bochet durante uma sessão fotográfica sobre brinquedos de Natal.