Macron e Scholz tentam mostrar unidade apesar de divergências

Um aperto de mão, sorrisos e mais de três horas de reunião: chanceler alemão e Presidente francês concordaram em grupos de trabalho sobre energia, defesa e inovação. Mas não responderam a perguntas.

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Emmanuel Macron e Olaf Scholz tentaram mostrar unidade num encontro esta quarta-feira em Paris CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

O encontro entre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, esta quarta-feira em Paris, foi “muito construtivo”, levando à criação de grupos de trabalho nos domínios da energia, defesa e inovação, segundo a presidência francesa.

A mesma avaliação do encontro foi feita por uma fonte diplomática alemã, referindo que o encontro em Paris resultou num diálogo “amigável” e “construtivo”.

Os dois políticos discordam em questões fundamentais de política de energia, por exemplo, como lutar contra a subida de preços, e em questões de segurança e defesa.

“Sobre estes três temas foram criados grupos de trabalho de reflexão que levarão os dois governos a trabalhar em estreita colaboração nos próximos dias para os próximos passos”, disse uma fonte do Eliseu à agência Lusa. O almoço aconteceu depois de Macron ter adiado, para Janeiro, uma reunião bilateral dos ministros dos dois países que estava marcada para esta quarta-feira, no que foi visto como sinal da frustração do Presidente francês com o chanceler alemão (embora a razão oficial dada fosse problemas de agenda de vários ministros).

O encontro aconteceu num momento em que são conhecidas divergências entre Paris e Berlim em várias áreas-chave, incluindo na política energética da União Europeia após a invasão russa da Ucrânia. A França quer aplicar em toda a UE a chamada “excepção ibérica” para poder baixar o preço da electricidade, algo a que a Alemanha se opõe.

Além disso, o Governo alemão apoiou fortemente o projecto de gasoduto MidCat através dos Pirenéus entre Espanha e França, que beneficiaria também Portugal, mas este acabará por ser abandonado a favor de um subaquático para transportar hidrogénio que ligará Barcelona a Marselha.

Houve ainda desacordo em várias questões de defesa, como um projecto antimíssil lançado por Berlim, incluindo outros membros da NATO, quando França tem a sua própria iniciativa em conjunto com a Itália, ou algumas diferenças sobre o desenvolvimento dos futuros aviões de combate europeus (em que a Espanha também participa), complicaram ainda mais a relação entre as duas grandes potências da UE.

Depois de três horas e meia de almoço entre os políticos e os seus conselheiros próximos, e ainda mais uma conversa de 20 minutos apenas entre os dois, não houve uma conferência de imprensa em que os jornalistas pudessem fazer perguntas – o que foi visto como um mau sinal pelos jornalistas do Politico que cobriam o encontro.

Olaf Scholz escreveu no Twitter sobre a reunião, dizendo que os temas foram “o fornecimento europeu de energia, o aumento dos preços e projectos de defesa comuns”, garantindo que “Alemanha e França estão próximas e enfrentarão juntas os desafios”.

O analista Eric Maurice, da Fundação Schuman, nota a referência de Scholz aos projectos de defesa comuns, importante para Macron, mas na energia “fala no abastecimento europeu de energia”, e não, ainda, de uma “solução europeia”.