Primeiro-ministro são-tomense espera eleições ordeiras e “com toda a transparência”

Os cerca de 123 mil eleitores de São Tomé e Príncipe votam nas eleições legislativas, autárquicas e regionais do país.

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Jorge Bom Jesus, primeiro-ministro de São Tomé, no momento do voto EPA/ESTELA SILVA

O primeiro-ministro são-tomense disse este domingo que o processo eleitoral está a decorrer conforme as expectativas, esperando que se conclua “de forma ordeira, calma” e “com toda a transparência” e pediu “mais um voto de confiança” aos são-tomenses.

“Acabo de exercer esse exercício de cidadania com toda a responsabilidade e é isso que eu peço aos meus conterrâneos, aos meus concidadãos, no sentido de saírem de casa e virem votar como tem sido nos últimos 30 anos de democracia aberta”, disse Jorge Bom Jesus.

O primeiro-ministro são-tomense votou na escola básica 1.º de Junho, na capital são-tomense, e destacou que “São Tomé e Príncipe tem sido um bom aluno da democracia” e disse esperar “que essas eleições ocorram como estão a decorrer agora, de forma ordeira, calma, serena, com toda a transparência”.

“Mais uma vez nós queremos dar essa lição à África e ao mundo em geral”, sublinhou Jorge Bom Jesus, realçando que o processo tem sido acompanhado por “várias dezenas de observadores internacionais de várias organizações”.

O chefe do executivo afirmou que “o processo na sua globalidade está a decorrer” conforme as expectativas “e fazendo jus à tradição democrática que se vive em São Tomé e Príncipe”, apesar de um protesto na localidade do Bairro do Hospital por falta de água potável na zona.

“Há coisas que ultrapassam inclusivamente o próprio Governo. Nós sabemos que durante o período da gravana o caudal do rio diminui”, comentou o chefe do Governo.

Apesar da lei eleitoral são-tomense proibir o apelo ao voto no dia das eleições, Jorge Bom Jesus, que concorre à reeleição enquanto cabeça de lista do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), disse que “confia na maturidade política” dos eleitores e pediu “mais um voto de confiança” à população “que avaliou, acompanhou [e] foi monitorizando todo o trabalho que o Governo realizou durante estes quatro anos, numa conjuntura bastante difícil”.

“Precisamos de estabilidade e de continuidade e é isso que nós estamos a pedir à população, portanto, que confie em nós para nos dar mais um voto de confiança para que os projectos iniciados possam ter continuidade e é esse trabalho que estamos a fazer e estamos confiantes”, disse Jorge Bom Jesus.

Contactada pela Lusa, fonte da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) disse desconhecer as declarações do primeiro-ministro, mas remeteu para mais tarde uma eventual reacção.

Por outro lado, o líder do MLSTP/PSD disse que vai acompanhar a contagem dos resultados juntamente com os militantes e dirigentes do partido na respectiva sede partidária.

“Montamos uma equipa para realizar contagem paralela, é natural. Não vamos estar impávidos e serenos à espera da comunicação social, da rádio nacional. Vamos fazer também essa pró-acção, fazermos a nossa contagem e eventualmente poder confrontar os dados caso seja necessário”, disse Jorge Bom Jesus.

O presidente do MLSTP/PSD disse estar “tranquilo” com a condução dos trabalhos pela CEN, “até porque a máquina eleitoral já está habituada a esses exercícios”.

“Pode haver uma ou outra pequena falha a corrigir, mas nada eventualmente que coloque em causa o processo no seu todo”, comentou Jorge Bom Jesus, que prometeu aceitar os resultados eleitorais.

Os cerca de 123 mil eleitores de São Tomé e Príncipe são chamados este domingo a votar nas eleições legislativas, autárquicas e regional, com os votantes na diáspora a eleger, pela primeira vez, dois deputados pela Europa e África.

Nas duas ilhas que compõem o país, haverá um total de 309 mesas de voto para os 123.301 eleitores.

No total, 11 partidos e movimentos, incluindo uma coligação, concorrem hoje aos 55 lugares da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe.

Pela primeira vez, 14.692 cidadãos residentes em dez países da Europa e África elegem um deputado por cada círculo. Os restantes 53 deputados são escolhidos pelos seis distritos da ilha de São Tomé e pela região do Príncipe.

Os eleitores são-tomenses têm igualmente de escolher os próximos presidentes das autarquias e o governo regional do Príncipe também vai a votos.