Joaquim Arena: “Interessa-me o acaso da História”
Um encontro improvável na ilha de Santiago, em Cabo Verde, entre Charles Darwin e um antigo escravo educado na corte de D. Maria I, serve ao escritor cabo-verdiano para tecer um belíssimo romance sobre a memória, a amizade e a cumplicidade, o racismo e o império.
Siríaco e Mister Charles é o terceiro romance do escritor cabo-verdiano Joaquim Arena (n. 1964) - que se estreou na literatura com A Verdade de Chindo Luz (Oficina do Livro, 2006) - advogado, jornalista e músico, e que durante quatro anos (2017-2021) foi conselheiro cultural e de comunicação do Presidente da República de Cabo Verde. É ainda autor de Debaixo da Nossa Pele (INCM, 2017) - a ser publicado ainda este ano nos EUA e na China - um livro inclassificável onde se cruzam a reportagem jornalística, o ensaio histórico, o relato de viagem, a ficção e a autobiografia; o tema é a presença dos africanos em Portugal, sobretudo em Lisboa e no Vale do Sado, particularmente em duas aldeias do concelho de Alcácer do Sal - Rio de Moinhos e São Romão - que foram povoadas por escravos africanos que de início foram trabalhar para os campos de arroz por, dizia-se à época, serem mais resistentes às sezões (paludismo) que infestavam a região.
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