Ministério da Saúde lança campanha para reduzir taxa de suicídio

A Campanha Nacional de Prevenção do Suicídio foi apresentada pelo psiquiatra Paulo Barbosa, também coordenador da iniciativa, que explicou que a campanha pretende “reduzir a taxa de suicídio em Portugal e “juntar toda a sociedade nesta missão”.

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oxi oxana ianin

O Ministério da Saúde lançou esta quinta-feira, Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, uma campanha nacional que visa reduzir a taxa de suicídio em Portugal, onde diariamente três pessoas se suicidam e muitas outras tentam fazê-lo.

“O suicídio é um problema de saúde pública que representa um grande desafio em todo o mundo. Em Portugal, cerca de três pessoas morrem por suicídio em cada dia e muitas mais tentam fazê-lo”, disse a psiquiatra Sónia Farinha Silva na apresentação da campanha num webinar promovido pelo Ministério da Saúde.

É um fenómeno que “não escolhe classes, género, idade ou região geográfica”, sendo um problema particularmente importante em homens, em pessoas mais velhas, em zonas rurais, como o Alentejo.

Mas também é um problema importante em alguns grupos mais específicos como, por exemplo, os adolescentes, a população LGBTI, em algumas profissões de risco, como os profissionais de saúde ou as forças de segurança, a população prisional ou pessoas que vivem em condição de sem abrigo, apontou a psiquiatra.

Perante esta realidade, e à semelhança do que já acontece em outros países, surgiu “a necessidade de se criar uma resposta nacional e coordenada para combater este problema”, defendeu uma das coordenadoras do projecto, sublinhando que “cerca de 90% das pessoas que morrem por suicídio tinham uma doença mental”.

A Campanha Nacional de Prevenção do Suicídio foi apresentada pelo psiquiatra Paulo Barbosa, também coordenador da iniciativa, que explicou que a campanha pretende “reduzir a taxa de suicídio em Portugal e “juntar toda a sociedade nesta missão”.

“Desenvolvemos esta campanha com três desafios em mente: alcançar a população, mudar as atitudes das pessoas em relação ao suicídio e à doença mental e promover mudanças na sociedade que sejam significativas e duradouras e permitam melhor qualidade de vida e melhor saúde”, sublinhou.

Trata-se de uma campanha multicêntrica assente numa acção coordenada de entidades parceiras a nível local e regional, sob a liderança do Programa Nacional para Saúde Mental.

O objectivo é “chegar às pessoas” através dos parceiros locais e regionais que conhecem as necessidades de cada população específica, de cada grupo, e podem disponibilizar-lhes informação, para “aumentar a literacia destas pessoas em saúde mental e para lutar contra o estigma”.

“Queremos que as pessoas saibam que há uma opção, que é pedir ajuda, encontrar tratamentos para a sua doença mental e melhorar a sua qualidade de vida, fazendo com que o suicídio não seja uma opção”, disse, destacando “o papel importante” que os amigos, a família, os colegas de trabalho ou mesmo desconhecidos podem ter nesta missão e que são chamados de “porteiros sociais”.

“São pessoas que no seu dia-a-dia podem encontrar-se com alguém que está em risco e que podem encaminhar essa pessoa para os serviços” de saúde e “salvar uma vida”.

A campanha tem como públicos-alvo a comunidade, os profissionais de saúde e os jornalistas e é assente em três eixos: o mês da Prevenção do Suicídio (Setembro), a formação de uma rede parceiros e um website que já está disponível.

“Queremos chegar aos profissionais de saúde para capacitá-los para esta resposta dos serviços de saúde e também queremos chegar aos jornalistas que têm uma missão muito importante na prevenção do suicídio, porque através do seu trabalho podem ter um impacto positivo ou negativo na vida das pessoas”, salientou Paulo Barbosa.

Presente no webinar, a directora-geral da Saúde afirmou que “numa altura em que as consequências da pandemia sobre a saúde mental são um dado adquirido toda esta questão se torna ainda mais premente”. “Os dispositivos de saúde são fundamentais no planeamento, mas por si só são insuficientes na implementação das medidas de prevenção”, disse Graça Freitas.

No seu entender, serviços de atendimento telefónico de linha directa, programas de prevenção de suicídio, grupos de apoio, entre outros, são respostas igualmente importantes, juntamente com “a limitação do acesso a meios letais e a continuidade de cuidados após a alta hospitalar”.

“Foi um compromisso do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direcção-Geral reactivar o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio e mesmo neste ano tão difícil conseguimos avançar com a organização desta campanha nacional de prevenção do suicídio”, frisou.