PS rejeita que Governo esteja a levar a economia para a estagnação

Maria Luís Albuquerque considerou que o Governo está a conduzir o país à estagnação económica e a líder do CDS lembrou que no ano passado, no mesmo período, Portugal estava a crescer 1,5%. PS rejeita acusações.

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Assunção Cristas falou sobre os números do segundo trimestre Pedro Cunha

Em reacção às declarações de duas ex-ministras do governo PSD/CDS-PP, Mania Luís Albuquerque e Assunção Cristas, respectivamente, que falaram em estagnação da economia e crescimento anémico, o PS considera que os números do crescimento no segundo trimestre publicados hoje pelo INE estão ainda "bastante aquém" do esperado, mas rejeita a afirmação do PSD que acusou o Governo de estar a levar a economia para a estagnação.

Em declarações à Lusa, o deputado socialista João Galamba reconhece que os dados hoje publicados pelo INE revelam que "o crescimento ainda fica bastante aquém do que é desejado pelo PS e pelo Governo", mas olha para o estado da economia em 2015 para sustentar que as acusações do PSD são infundamentadas.

"Este é o melhor trimestre desde o segundo trimestre de 2015 e o crescimento deste trimestre foi de cerca de o triplo do [registado no] terceiro trimestre de 2015 quando se iniciou a estagnação da economia portuguesa", disse.

Segundo a entidade estatística, no segundo trimestre do ano passado, a economia portuguesa cresceu 0,4% em cadeia e 1,5 em termos homólogos e, no terceiro trimestre de 2015, o PIB aumentou 0,1% em cadeia e 1,4% face ao mesmo trimestre do ano anterior. Galamba defende que, "embora os resultados fiquem aquém do desejado pelo PS, a afirmação do PSD não tem qualquer fundamento" e diz ainda que "o que está a acontecer é o atual Governo a tentar tirar a economia da estagnação que foi deixada pelo governo anterior, de Maria Luís Albuquerque, de Passos Coelho e de Assunção Cristas".

Para o deputado do PS, a estagnação económica de que o PSD agora fala "vem de trás" e "o máximo de que este Governo pode ser acusado é de ainda não ter conseguido retirar a economia da estagnação que foi deixada pelo governo anterior".

PSD: Estagnação indesmentível

A vice-presidente do PSD Maria Luís Albuquerque afirmou hoje que a tendência negativa das variáveis mais relevantes do crescimento económico reveladas pelo INE torna “indesmentível” que o modelo económico do Governo está a conduzir a economia à estagnação.

Em conferência de imprensa na sede do PSD, Maria Luís Albuquerque considerou que "os dados que hoje são públicos confirmam o falhanço do modelo económico que está a ser posto em prática Portugal", exemplificando que "o consumo privado, que era o suposto motor do crescimento, está em desaceleração" e que "o elemento mais preocupante é a confirmação da evolução muito negativa do investimento".

"Não estamos a falar de previsões ou de convicções sobre se o modelo económico funciona ou não. Estamos a falar de dados e factos e é indesmentível que este modelo está a conduzir a economia a uma situação de estagnação", vincou, apelando ao Governo para que "haja um reconhecimento do erro da estratégica antes que seja tarde de mais".

A economia portuguesa cresceu 0,9% no segundo trimestre face ao período homólogo e 0,3% em relação ao trimestre anterior, segundo o INE, que reviu hoje em alta em 0,1 pontos percentuais cada um dos valores.

Numa análise por componentes, o INE indica que "o contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu significativamente, passando de 1,7 pontos percentuais no primeiro trimestre de 2016 para 0,6 pontos percentuais", o que ficou a dever-se a "um crescimento menos intenso das despesas de consumo final e uma redução mais expressiva do investimento".

CDS: economia está anémica

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, também defendeu esta manhã que os dados hoje revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) expressam um crescimento económico anémico face ao necessário para o país e ao prometido pelo Governo.

"Estes números são uma pequenina correcção, mas não nos tiram de um crescimento muito anémico para aquilo que seria necessário e para aquilo que foi prometido por este mesmo Governo", disse Assunção Cristas aos jornalistas, após uma visita ao Centro Social e Paroquial de Arroios, em Lisboa.

A economia portuguesa cresceu 0,9% no segundo trimestre face ao período homólogo e 0,3% em relação ao trimestre anterior, segundo o INE, que reviu hoje em alta em 0,1 pontos percentuais cada um dos valores.

"É irrelevante. O primeiro trimestre foi 0,9%, o segundo trimestre é 0,9% também. Lembro que no ano passado, no mesmo período, estávamos a crescer 1,5%", declarou Cristas.

A líder centrista reiterou a crítica segundo a qual "o grande problema deste Governo é não ter política económica eficaz, não conseguir gerar a confiança necessária para haver investimento, para haver criação de riqueza, para haver criação de emprego, para aumentarem as exportações".