Investigação visa certificação ambiental de produtos do estuário do Mondego

O projecto visa criar a marca ‘Morraceira' para produtos como peixes, bivalves e plantas com a salicórnia, que pode ser uma alternativa ao sal.

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A salicórnia pode substituir o sal

Um projecto da Universidade de Coimbra (UC), a desenvolver num novo laboratório de investigação que é inaugurado na sexta-feira, na Figueira da Foz, visa a certificação ambiental de produtos da ilha da Morraceira, no estuário do Mondego.

"O projecto visa criar uma marca ‘Morraceira' para que os produtos [peixes, bivalves e plantas com a salicórnia, que pode ser uma alternativa ao sal] possam ter uma certificação de amigos do ambiente", disse à agência Lusa João Carlos Marques, presidente do Instituto do Mar da Universidade de Coimbra e coordenador do laboratório Marefoz.

Adiantou que o projecto está em fase de conclusão para ser apresentado a financiamento comunitário no âmbito do quadro Portugal 2020: "Estou muito optimista que seja aprovado", disse João Carlos Marques, frisando que os trabalhos decorrerão ao longo de quatro anos após a aprovação do projecto.

O Marefoz é um laboratório avançado do polo de Coimbra do Mare - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, um programa de investigação na área do mar que reúne cerca de 500 investigadores de seis universidades portuguesas - e a sua criação visa a transferência e disponibilização do conhecimento académico ao meio empresarial, nomeadamente a empresas ligadas à economia do mar.

João Carlos Marques frisou que a equipa do polo de Coimbra do Mare "tem um longo historial" de trabalho desenvolvido naquele município litoral, nomeadamente na zona costeira e estuário do Mondego, desde a década de 1980.

"Sentimos que havia necessidade de ter um laboratório avançado junto ao mar, coisa que o polo de Coimbra não tinha", declarou.

Os contactos com a autarquia da Figueira da Foz resultaram em dois protocolos - um "genérico" com a Universidade de Coimbra e outro, que o investigador denomina de "consórcio de vontades", que junta o município, a UC, o Instituto de Investigação Interdisciplinar daquela Universidade (ao qual está associado o programa Mare), o Instituto do Mar e a Incubadora de Empresas da Figueira da Foz (que é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada, entre outras, pela Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz) e onde a nova infra-estrutura vai ficar localizada, na margem esquerda do rio Mondego.

Com o novo laboratório, mudam-se de Coimbra para a Figueira da Foz quatro investigadores a que se deverão juntar mais quatro novos contratados que ali ficarão "em permanência", disse João Carlos Marques, adiantando que as novas instalações serão ainda utilizadas por outros "seis ou sete" investigadores "que vão circular entre Coimbra e a Figueira da Foz".

O protocolo com o município orça em cerca de 120 mil euros de investimento da autarquia e, no seu âmbito, o Instituto do Mar transfere para o Marefoz diversos equipamentos avançados de apoio à investigação, orçados em mais de um milhão de euros, ligados à análise de qualidade ambiental, toxicologia e outras valências.

O Marefoz vai ainda proporcionar cursos não conferentes de grau, o primeiro dos quais em Julho, versando a avaliação de qualidade ambiental e dirigido a técnicos das administrações hidrográfica e portuária.

Em nota de imprensa, a autarquia da Figueira da Foz frisa que o Marefoz é "o primeiro centro tecnológico" do concelho e enquadra-se no plano estratégico e de desenvolvimento municipal.

"O objectivo é apoiar, com acesso ao conhecimento, as pequenas e médias empresas que laboram já no concelho, no sector da agro-indústria em geral, em áreas que vão da aquicultura à cultura do arroz, por exemplo, atraindo assim novas unidades geradoras de emprego e desenvolvimento social e económico, de forma ambientalmente sustentada e territorialmente contextualizada", refere, na nota, a vereadora Ana Carvalho.

A vereadora diz ainda que o laboratório permitirá ainda que o município possa avaliar, entre outros aspectos, os cuidados a desenvolver "para garantir o desenvolvimento harmonioso da economia em potencial dos cerca de 400 hectares da ilha da Morraceira", situada entre os braços norte e sul do rio Mondego, e cuja taxa de ocupação, actualmente a rondar os 20%, a autarquia quer ver aumentada.

O laboratório Marefoz é inaugurado na sexta-feira, às 17h00, numa cerimónia que conta com a presença anunciada da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.