Policiamento remunerado arranca sábado na Baixa do Porto

O serviço tem o custo de cerca de quatro mil euros mensais e carácter experimental

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O projecto em cima da mesa prevê que os empresários desembolsem, mensalmente, cerca de quatro mil euros para pagar a oito elementos da PSP – sete agentes mais um chefe – por quatro horas de trabalho, nas madrugadas mais movimentadas da noite portuense. O horário exacto ainda não está fechado e serão ensaiadas diferentes hipóteses, explica António Fonseca. “Durante o mês de Março, o policiamento remunerado vai ser feito entre a 1h e as 5h da madrugada, mas estamos a pensar, depois, experimentar colocá-lo entre a meia-noite e as 4h. Os ajustes serão feitos conforme a experiência”, disse.

O grupo vai estar “estrategicamente colocado e a circular” nas ruas de Cândido dos Reis, Galeria de Paris, Conde Vizela, Almada e José Falcão, bem como a Praça Filipa de Lencastre. Apesar de o presidente da junta garantir que os agentes acorrerão a todas as situações, independentemente de elas acontecerem num bar que contribuiu para o pagamento dos agentes ou não, a escolha das ruas que vão receber vigilância não foi aleatória. Em espaços onde nenhum empresário quis participar no projecto, não há policiamento previsto. É isso que acontece com a Praça Guilherme Gomes Fernandes onde “foram convidados todos os estabelecimentos”, mas nenhum manifestou vontade de participar. Já em Parada Leitão, não haverá patrulhamento nesta semana, mas a prometida adesão de alguns dos empresários da praça deverá permitir que os agentes da PSP possam também passar por ali “no próximo mês”.

António Fonseca salienta que “ninguém é obrigado a participar” no projecto, mas salienta a “atitude cívica e social” dos empresários que decidiram aderir, pagando aos agentes para o efeito, e não esconde que o objectivo é conseguir que os custos sejam divididos por mais do que 50% dos espaços licenciados na área abrangida, como acontece agora. “Vamos fazer um convite de sensibilização aos empresários que não se juntaram ainda a nós, porque o ideal é diluir o custo por todos”, refere o autarca.

Aliás, Fonseca admite que experiências anteriores do mesmo género não se mantiveram “porque não queriam ser sempre os mesmos a pagar”, entre outros factores.

O projecto da União de Freguesias foi criticado – pela Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo – e alvo de manifestações de apoio – da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) –, mas António Fonseca diz-se convicto que a presença dos agentes irá ajudar a minimizar actos de vandalismo, roubos e atitudes menos cívicas, que incomodam há anos os moradores da zona. Os frequentadores da noite portuense terão também de aguardar mais um pouco pela instalação de quatro câmaras de videovigilância, já autorizadas em Novembro, mas que só deverão entrar em funcionamento na “altura de maior pico” de actividade, nos três meses de Verão, disse ao PÚBLICO fonte camarária. 

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