Chama-se Fátima, o bebé que deu à costa em Tarifa

Bebé de 11 meses que chegou sozinha a uma praia de Cádiz num barco de imigrantes ilegais vai ser entregue aos pais.

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Voluntário da Cruz Vermelha alimenta um bebé no centro de acolhimento de Tarifa Jon Nazca/Reuters

A menina chegou sozinha, sem pai nem mãe, e foram os que viajaram com ela que explicaram às autoridades espanholas que ela não tinha sido abandonada. No caos da partida, os pais viram-se envolvidos num confronto com polícias marroquinos e acabaram por não conseguir entrar em nenhum dos barcos que fizeram a travessia na madrugada da passada segunda-feira.

Princesa chama-se Fátima. Com a velocidade a que a história da bebé se espalhou por televisões, sites de informação, twitters e facebooks, difícil teria sido que as autoridades espanholas e os pais da menina não tivessem entrado em contacto uns com os outros. Os primeiros ficaram a saber o seu nome, os segundos recolheram todos os pormenores dos dias que estiveram separados da sua filha.

O casal africano (não se sabe ao certo de que país) ficou a saber que Fátima chegou a Tarifa com febre, que foi tratada e alimentada pelos serviços da Cruz Vermelha espanhola. Que dormiu muito bem na sua primeira noite passada na Europa e que acordou já com a testa fresca.

Os pais de Fátima também foram informados que a segunda noite europeia da filha foi passada em casa de uma voluntária da Cruz Vermelha. Que a menina brincou com os filhos da sua anfitriã até serem horas de ir para a cama. Que chorou (pouco) na manhã seguinte, quando foi levada pelos serviços sociais para um outro centro, antes de ser entregue a uma família de acolhimento andaluza, depois de as autoridades terem considerado que está solução seria a que mais “favorecia o seu bem-estar”.

O jornal espanhol El País escreve nesta sexta-feira que as forças de segurança espanholas vão facilitar o reencontro de Fátima com os seus pais. Muito provavelmente darão autorização à mãe para fazer a travessia de Marrocos para Espanha para a ir buscar. Muito provavelmente, as duas serão repatriadas. Não é certo que haja um futuro na Europa para esta família.

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