G7 ameaça aplicar novas sanções à Rússia

Chanceler alemã, Angela Merkel, diz que o grupo "não hesitará" em aplicar novas sanções se Moscovo não usar "a sua influência" para travar os separatistas no Leste da Ucrânia.

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Yves Herman/Reuters

“É imperativo que o Presidente Putin use a sua influência para levar os separatistas a absterem-se de cometer actos de violência e de intimidação”, disse Merkel perante o Parlamento alemão, antes da partida para a Bélgica.

“Se isso não acontecer, não hesitaremos em impor novas sanções”, afirmou.

Num rascunho da declaração da cimeira do G7, obtido pela agência Reuters, fica claro que a situação está ainda longe do fim. No documento, os países mais industrializados do mundo exigem que a Rússia “acelere a retirada das forças militares da fronteira Leste com a Ucrânia”, e que “exerça a sua influência entre os separatistas armados para que deponham as suas armas”.

A Rússia anunciou a retirada de parte das suas tropas da fronteira com a Ucrânia – um movimento que a NATO já confirmou, mas que diz ser insuficiente para tranquilizar os seus membros no Leste da Europa.

Para além da ameaça de novas sanções à Rússia, a cimeira do G7 servirá também para discutir medidas de apoio à Ucrânia, para acelerar a saída do país da crise em que se encontra, ou pelo menos minimizá-la.

A principal ideia é manter uma certa unidade entre os Estados Unidos e a Europa em relação à Rússia, explicou o vice-conselheiro nacional de Segurança norte-americano, Bem Rhodes, num comentário ao encontro entre o Presidente Barack Obama e o recém-eleito Presidente ucraniano, Petro Poroshenko: “Eles discutiram a necessidade de a comunidade internacional continuar a falar a uma só voz sobre o tema da Ucrânia.”

Apesar de ter sido afastado do grupo, após a anexação da península da Crimeia, o Presidente russo terá a oportunidade de discutir este e outros assuntos na sexta-feira, durante as comemorações do 70.º aniversário do Desembarque na Normandia, em França.

Nesse dia, Vladimir Putin irá encontrar-se com a chanceler alemã, Angela Merkel; com o Presidente francês, François Hollande; e com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Apesar de pouco provável, não está posta de lado a hipótese de Putin se encontrar também com Barack Obama e até com Petro Poroshenko.

“Como as coisas estão, um encontro entre mim e Putin não está nos planos, mas não excluo a possibilidade de ele se realizar num qualquer formato”, disse nesta quarta-feira o recém-eleito Presidente da Ucrânia, que toma posse no próximo sábado.

Na quinta-feira – segundo e último dia da cimeira do G7, que decorre pela primeira vez em Bruxelas –, os líderes dos países mais industrializados vão discutir temas relacionados com a Energia, principalmente a dependência de vários países europeus em relação ao gás russo.

“O uso do fornecimento de energia como um meio de coerção política ou como uma ameaça à segurança é inaceitável. A crise na Ucrânia torna claro que a segurança energética deve estar no centro da nossa agenda colectiva e requer uma mudança na nossa abordagem para a diversificação do fornecimento de energia”, lê-se na declaração provisória da cimeira do G7.

Esta reunião dos países mais industrializados do mundo estava marcada para a cidade russa de Sochi, mas foi alterada após a anexação da Crimeia pela Rússia. Num comunicado publicado em Março, o grupo decidiu afastar a Rússia e transferir a cimeira para Bruxelas.

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