Porto Editora lança chancela digital

Coolbooks quer revelar novos talentos e ser uma alternativa para a divulgação de autores portugueses.

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REUTERS/Brian Snyder

O responsável pela chancela, Vítor Gonçalves, explica que a variedade das obras escolhidas para inaugurar o catálogo foi intencional e se destina a mostrar que a Coolbooks “é uma editora generalista, que pretende ir ao encontro dos gostos de vários tipos de leitores”. Os livros, de autores inéditos ou muito pouco conhecidos, estão já disponíveis no site da editora  (www.coolbooks.pt) e na livraria virtual do grupo, a Wook, com preços que vão de 2,99 a 8,99 euros.

Apesar de o mercado do livro digital estar ainda “a dar os primeiros passos em Portugal”, o seu crescimento tem sido “exponencial” em países como os Estados Unidos ou o Reino Unido, observa Vítor Gonçalves, e o grupo Porto Editora pretende contribuir, com a criação da Coolbooks, “para a promoção deste novo formato de leitura, captando novos leitores e criando contextos alternativos para a divulgação dos autores portugueses”.

Embora existam já no mercado português várias plataformas, como a Escrytos, do grupo Leya, que permitem a qualquer autor publicar gratuitamente um livro em formato electrónico – dando-lhe ainda a opção de encomendar uma variada gama de serviços suplementares pagos, da revisão ao design ou à promoção –, a Coolbooks distingue-se por ser uma chancela digital, que seleccionará, como qualquer editora, os títulos a publicar.

O facto de o grupo de Vasco Teixeira não ter tentado encontrar um nome comercialmente forte para lançar esta nova chancela é um sinal de que o objectivo declarado é apostar em novos autores, aproveitando, designadamente, as “dezenas de originais que a Porto Editora recebe semanalmente”, alguns deles, diz Vítor Gonçalves, “com bastante qualidade”, mas cuja edição em papel seria arriscada.

E ao mesmo tempo que o digital permite testar junto do público autores nos quais as chancelas tradicionais do grupo teriam hoje mais dificuldade em apostar, a Coolbooks é também um modo de a Porto Editora se ir posicionando num sector que, não tendo ainda uma expressão muito significativa no mercado livreiro português, poderá vir a crescer muito rapidamente, a julgar pelos exemplos americano e britânico.

As taxas de crescimento das vendas de ebooks até abrandaram em 2013 nos EUA e no Reino Unido, mas depois de sucessivos aumentos em flecha desde 2009. Cerca de 20 por cento dos adultos do Reino Unido e dos Estados Unidos já descarregaram um livro digital, e estima-se que s vendas globais de ebooks ultrapassem em 2015 os cinco mil milhões de euros.

Para o lançamento da chancela, que coincide com a véspera do dia mundial do livro, a Coolbooks apresenta um primeiro conjunto de sete livros, cujo preço varia essencialmente em função do número de páginas. Os mais caros (custam 8,99 euros) são Manhã Clara, romance de estreia de Vasco Saragoça, que narra “as errâncias de Borga, um jovem estudante de Filosofia, que percorre as praias desertas do Sudoeste em busca de liberdade, do sentido da vida e de si próprio”, e A Chama ao Vento, de Carla M. Soares, um romance que evoca a Lisboa da segunda guerra e que, diz a editora, “é um retrato íntimo de Portugal em três gerações”. Vasco Saragoça nasceu em 1975, é doutorado em Filosofia pela Sorbonne, e já publicara em França um livro de ensaio. Carla M. Soares nasceu em 1971, em Angola, e estudou literatura gótica, cinema e história de arte.

Os restantes títulos incluem um policial – O Cliente de Cascais, de José Filipe, cujo protagonista, o ex-inspector da Judiciária António Palma, investiga um acidente ocorrido há vinte anos que pode não ter sido bem o que pareceu –, e uma ficção erótica, O Pianista e a Cantora, de Fernando Pessanha, que é autor de livros e artigos na área da história e do património (trabalha actualmente no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António), mas também é pianista, como o herói do seu livro, que mantém uma “intensa relação” com uma “cantora sensual e misteriosa”.

Esta primeira fornada de ebooks completa-se com três livros de contos (são os mais baratos, a 2,99 euros): dois volumes de histórias breves de horror, para público juvenil, da autoria de Rui Péricles (um jovem autor nascido em 1994), e Sudoeste, de Olinda P. Gil.

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