Governo entende as greves, mas está “a resolver problemas que herdou”

Ministro Luís Marques Guedes culpa Governos anteriores para justificar a “dureza das medidas” e o “longo caminho a percorrer”.

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Questionado no final da reunião do Conselho de Ministros sobre a marcação de mais um protesto contra o Governo, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares afirmou que a greve é um direito fundamental dos trabalhadores, a quem cabe escolher “os momentos e fundamentos” para a marcar. Também disse desconhecer os motivos aduzidos pelos sindicatos, “mas porventura tem a ver com a dureza das medidas a que o país continua a ser sujeito”.

Luís Marques Guedes aproveitou então para assacar culpas aos Governos anteriores, liderados pelo PS, e para realçar o facto de a economia estar a dar mostras de querer melhorar. “Lembro que a dureza das medidas não decorre da situação actual, até porque a perspectiva do Governo é que a economia portuguesa tenha saído da recessão neste terceiro trimestre”, justificou o ministro, referindo-se aos indicadores avançados há dias pela Universidade Católica que mostram “um ligeiro crescimento”, depois de ter havido também sinais de melhoria no segundo trimestre. “Vamos esperar pelos dados oficiais”, acrescentou, cauteloso.

“Pese embora isso aconteça [a expectável ligeira retoma da economia], os portugueses sabem que há um longo caminho a percorrer ainda de modo a ajustar as despesas à riqueza que produzimos. Há ainda um défice – e enquanto houver é porque há desequilíbrio entre o que produzimos e o que pagamos – derivado do endividamento que se acumulou na última década”, apontou Luís Marques Guedes.

“Percebo as dificuldades por que estão a passar”, afirmou o ministro, vincando que “este Governo está a tentar resolver os problemas que herdou”. Por isso, justificou, “é preciso corrigir, não se pode fechar os olhos nem varrer para debaixo do tapete nem esperar que se resolvam por si”. E rematou, insistindo na culpabilização: “Todos nós temos que resolver os problemas do país que foram criados nos últimos Governos.”

Os sindicatos da função pública anunciaram na quarta-feira a marcação de uma greve conjunta entre todas as estruturas sindicais para dia 8 de Novembro como “primeira reacção” às medidas incluídas no Orçamento do Estado para 2014.

Os sindicatos no sector dos transportes decidiram também avançar com uma manifestação nacional e com uma quinzena de greves em protesto contra a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2014, apresentada na terça-feira.

“Entendemos que é o pior momento desde o 25 de Abril de 1974 para todos os trabalhadores, entre os quais os funcionários públicos”, justificou então Helena Rodrigues, a vice-presidente do STE – Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.


 
 

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