Governo egípcio ordena fim dos acampamentos dos apoiantes de Morsi

Vigílias dos apoiantes da Irmandade Muçulmana consideradas "ameaça à segurança nacional". Líder do movimento islamista acusado de incitação à violência

Foto
A Irmandade promete continuar nas ruas até o Presidente deposto ser reconduzido no cargo Amr Abdallah Dalsh/Reuters

“O prolongamento da situação perigosa nas praças Rabaa al-Adawiya [no Nordeste da capital] e Al-Nahda [junto à Universidade do Cairo], o terrorismo que daí decorre, bem como as ruas cortadas deixaram de ser aceitáveis”, adianta um comunicado lido nesta quarta-feira na televisão nacional, quatro dias depois de mais de 80 apoiantes da Irmandade terem morrido em violentos confrontos com as forças de segurança na capital.  

Sem revelar quando poderá a polícia intervir para levantar as tendas e expulsar os apoiantes do movimento islamista, a nota refere apenas que o Ministério do Interior tem mandato para “adoptar todas as medidas necessárias para confrontar estes riscos e pôr-lhes fim”.

Minutos antes deste pronunciamento, a agência Reuters citava fontes judiciais segundo as quais Badie e outros dois dirigentes do movimento islamista, detidos dias depois do golpe militar que derrubou Morsi, vão ser formalmente acusados de incitação à violência. O Presidente deposto, que se encontra há quase um mês sob custódia do Exército, foi, também ele, acusado de vários crimes, incluindo conspiração com o movimento palestiniano Hamas e cumplicidade na morte de polícias durante a revolução que em 2011 derrubou Hosni Mubarak.

Numa primeira reacção ao decreto do Governo, um porta-voz da coligação pró-Morsi assegurou que “nada vai mudar” e que os manifestantes vão continuar acampados frente à Mesquita de Rabaa al-Adawiya. Gehad el-Haddad acusou ainda o Exército e o governo por ele indigitado de “tentarem aterrorizar os egípcios”.

Os dois desenvolvimentos fazem prever o regresso de confrontos às ruas da capital, que a Irmandade Muçulmana promete continuar a ocupar até que Morsi seja reconduzido no cargo, rejeitando o plano de transição acordado entre Exército e oposição. Acusado de concentrar poderes e governar em prol apenas da Irmandade, o dirigente islamista foi afastado a 3 de Julho pelos militares depois de manifestações gigantescas nas ruas das principais cidades. A violência que se seguiu ao golpe militar terá provocado já mais de 300 mortos.

 
 
 
 

Sugerir correcção
Comentar