Papa Francisco já está no Brasil

Antes de o avião ter aterrado no Rio de Janeiro, o Papa afirmou que o mundo corre o risco de ter "uma geração que não tem trabalho".

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O Papa cumprimenta uma jornalista, que captura a imagem com um tablet LUCA ZENNARO/POOL/AFP
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No papamóvel a caminho do Palácio Guanabara GABRIEL BOUYS/AFP
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Durante o voo, um jornalista ofereceu-lhe uma bandeira do Brasil Ansa/Luca Zennaro/Pool/Reuters
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No papamóvel a caminho do Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro GABRIEL BOUYS/AFP
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O Papa foi recebido pela Presidente, Dilma Rousseff YASUYOSHI CHIBA/AFP
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Um homem segura uma bandeira do Brasil e outra com uma fotografia de Francisco CHRISTOPHE SIMON/AFP
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Um balão dedicado ao Papa GABRIEL BOUYS/AFP
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Fiéis aguardavam a chegada de Francisco GABRIEL BOUYS/AFP
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Dentro do papamóvel, Francisco cumprimenta a multidão Ricardo Moraes/Reuters
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Um homem vende t-shirts e bolsas com a imagem do Papa GABRIEL BOUYS/AFP
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Francisco beija uma criança no caminho para o Palácio Guanabara ARI VERSIANI/AFP

A multidão que acompanha a viagem do Papa até ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro forçou a paragem do papamóvel, com várias pessoas a tentarem tocar no veículo que transporta Francisco. Já antes disso, Francisco tinha entrado com Dilma Rousseff num carro convencional, que acabou por ter de parar várias vezes no trânsito do Rio de Janeiro, momentos que várias pessoas aproveitavam para se aproximarem do veículo e tentarem tocar no Papa ou fotografá-lo, em momentos que quebraram as regras de segurança.

Antes de aterrar, Francisco deixou uma mensagem contra "a cultura da rejeição", a pensar nos jovens mas também nos mais velhos. "A crise mundial não faz nada de bom pelos jovens. Corremos o risco de ter uma geração que não tem trabalho, ora é do trabalho que vem a dignidade da pessoa”, afirmou o primeiro Papa sul-americano no avião que o levou de Roma ao Rio de Janeiro.

Francisco, que não gosta de dar entrevistas, levantou-se para falar aos jornalistas apenas uma hora depois de o avião ter levantado. Cumprimentou cada um dos 70 enviados e como em várias ocasiões desde a eleição, em Março, falou-lhes de improviso.

O Papa que defende “uma Igreja pobre para os pobres” e uma Igreja aberta, que sai à rua em vez de ficar fechada nos seus palácios, explicou que o sentido da sua viagem ao Brasil, onde participará na Jornada Mundial da Juventude, “é encorajar os jovens a viverem inseridos no tecido social com as pessoas mais velhas, não isolados da vida”.

“Quando isolamos os jovens cometemos uma injustiça. Tiramos-lhes a pertença: a uma família, a uma pátria, a uma fé… Não devemos isolá-los da sociedade. Eles são o futuro”, disse Francisco aos jornalistas que o acompanharam na sua primeira viagem ao estrangeiro.

Os jovens são o futuro, repetiu, “mas um povo não são só os jovens”. “Eles são o futuro porque têm a força, são jovens, avançam. Mas no outro extremo da vida, os mais velhos são também o futuro de um povo. Têm a sabedoria da vida, da história, da pátria, da família, e nós também precisamos disso”, disse o Papa de 76 anos. “E por isso digo-vos que vou ao Rio encontrar os jovens, mas no seu tecido social, principalmente ao lado dos mais velhos.”

“Estamos a acostumar-nos à cultura do descarte”, insistiu. “Fazemos isso com os mais velhos, mas agora também o fazemos com os jovens sem trabalho”, afirmou Francisco, que chega ao Brasil semanas depois das grandes manifestações que juntaram sobretudo jovens brasileiros – começaram por visar o aumento dos preços dos transportes, mas tornaram-se numa contestação mais vasta, contra a corrupção e a distância entre o discurso dos políticos e as expectativas da população.

“Devemos eliminar esse costume de descartar”, pediu o Papa argentino. “Devemos caminhar para a cultura da inclusão, do encontro. Temos de fazer um esforço para integrar todos na sociedade.”
 

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