Financeiramente, Moutinho rendeu mais ao Sporting do que ao FC Porto

“Leões” lucram 13 a 14 milhões de euros e portistas apenas sete a oito milhões.

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João Moutinho Rui Farinha

Passemos a explicar as contas. O Sporting recebeu 11 milhões em Julho de 2010, quando o jogador se mudou de Alvalade para o Dragão. Agora que o jogador se muda para o Mónaco por 25 milhões, o Sporting tem direito a 25% da mais-valia acima dos 11 milhões, como ficou estipulado no acordo com o FC Porto.

A questão será perceber exactamente qual é o valor da mais-valia acima referida. É que se forem descontados os habituais 10% do empresário Jorge Mendes (2,5 milhões neste caso), o Sporting terá direito apenas a 2,875 milhões de euros (25% de 11,5 milhões). Se a comissão do empresário ficar fora destas contas, então o clube de Alvalade receberá 3,5 milhões de euros, sendo certo que não terá direito a qualquer compensação ao abrigo do mecanismo de solidariedade, uma vez que isso ficou estipulado no acordo de transferência com o Sporting, apurou o PÚBLICO.

Seja como for, juntando o montante inicialmente recebido do FC Porto com a verba a receber agora, o clube de Alvalade encaixará entre 13,87 e 14,5 milhões de euros. Mais do que o FC Porto, que se ficará por um lucro final de 7,325 (se o Sporting receber 3,5) ou de 7,95 milhões (se o Sporting receber 2,875).

As contas do FC Porto em relação a Moutinho também têm algumas curvas e contra-curvas. O clube portuense comprou o passe do jogador ao Sporting, em Julho de 2010, por 11 milhões de euros. Em Outubro desse ano, vendeu 37,5% do passe a uma empresa holandesa chamada Mamers BV, por 4,125 milhões. Algures entre Outubro de 2010 e Agosto de 2011, os 37,5% da Mamers foram cedidos ao Soccer Invest Fund (um fundo registado na CMVM), por um valor desconhecido.

Em Agosto de 2011, o FC Porto recomprou 22,5% do passe de Moutinho ao Soccer Invest Fund, por 4 milhões de euros. E em Janeiro deste ano recomprou 15% de Moutinho ao mesmo fundo, por 3,3 milhões de euros, voltando a deter 100% dos direitos económicos do jogador. Nestas operações de compra e venda, o FC Porto gastou 18,3 milhões e recebeu (incluindo já o montante que o Mónaco vai pagar) 29,125. O lucro é, portanto, de 10,825 milhões, ao qual tem de ser descontada a verba a dar ao Sporting – e, na verdade, o valor até será mais baixo, uma vez que há comissões a pagar aos empresários.

Já quanto a James Rodríguez, as contas são diferentes. Em Julho de 2010, o FC Porto comprou 70% do passe do colombiano por 5,1 milhões de euros. Em Dezembro do mesmo ano, vendeu 35% à empresa Gol, por 2,550 milhões. Em Maio de 2011, os “dragões” recompraram 30% do passe por 2,250 milhões e em Fevereiro deste ano pagaram 8,750 milhões pelos restantes 35%. A soma destas parcelas dá 100%, mas, a dado ponto deste processo, o FC Porto cedeu 10% por valores desconhecidos a uma entidade desconhecida. Somando os valores que são públicos, os “dragões” gastaram 16,1 milhões com a aquisição de parcelas do passe do James e receberam 47,55 milhões (incluindo já a transferência para o Mónaco), obtendo um lucro de 31,15 milhões. A este valor têm de ser deduzidos 4,5 milhões (os tais 10% que pertencem a uma terceira parte) a compensação aos clubes formadores, as comissões de intermediação.

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