Pedro Motta, a natureza e a manipulação da imagem recebem prémio BESPhoto 2013

Nona edição do mais importante prémio de fotografia português premeia trabalho do artista brasileiro sobre a Natureza das Coisas.

"Espaço Confinado", de Pedro Motta
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"Espaço Confinado", de Pedro Motta Pedro Motta
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O fotógrafo premiado, Pedro Motta DR
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"Natureza das Coisas #2" Pedro Motta
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"Testemunho", da série premiada pelo BESPhoto Pedro Motta

Motta sucede assim ao moçambicano Mauro Pinto, premiado em 2012 depois de o prémio se ter aberto a artistas estrangeiros de língua portuguesa em 2011. A decisão do júri sobre a série inédita Natureza das Coisas foi unânime, destacando os seus três membros – Geoff Dyer, escritor britânico, o professor, escritor e crítico belga radicado em Nova Iorque Luc Sante e a crítica de arte espanhola Rosa Olivares – “a forma como o artista desenvolve a percepção do real e do falso através da adivinha, da sugestão e do imprevisto, na utilização da paisagem enquanto género tradicional da história da arte”.

Para Pedro Motta, que falou ao PÚBLICO na noite desta terça-feira após o anúncio do vencedor no Museu Berardo, “a parte mais interessante do trabalho” é mesmo atingir o espectador. Provocar? “Provocar não sei, mas sugerir algumas coisas é o papel do artista, sugerir maneiras de convivência nesse espaço de convívio que, no meu caso, é a paisagem.” 

Nomeado por um júri composto por Agnaldo Farias, do Instituto Tomie Ohtake (Brasil), Delfim Sardo, curador, crítico e professor português, e Bisi Silva, curadora e fundadora/diretora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, na Nigéria, pela série Campo Fértil - um trabalho sobre o homem e a paisagem -, construiu Natureza das Coisas como o inédito com que se mostrou ao júri de premiação.

E eis Natureza das Coisas como o primeiro embate dos visitantes na exposição que desde 17 de Abril mostra no Museu Berardo, em Lisboa, os quatro finalistas do BesPhoto 2013 – com Filipe Branquinho (Moçambique), Albano da Silva Pereira (Portugal) e Sofia Borges (Brasil) – e reflecte sobre o contraste da paisagem brasileira, natureza luxuriante e sulcos de urbanização. São fotos e desenhos manipulados digitalmente, um testemunho de como a paisagem muda e se desloca hoje e também um retorno do artista nascido em 1977 em Belo Horizonte ao Desenho da sua licenciatura.

A manipulação é importante para criar relações de “estranhamento” entre as pessoas e os espaços que fotografa, diz ao PÚBLICO, “ora é mais sugestiva ou mais agressiva”. A dúvida que ela provoca “é um elemento que percorre o meu trabalho, se é ou não real, se é ou não verdade, a realidade existe, a gente sequer existe”, enuncia o fotógrafo, evoluindo de paralelos para perguntas.

Pedro Motta vive e trabalha em Belo Horizonte e expôs individualmente no Brasil e no estrangeiro, integrando também várias mostras colectivas. 

A exposição com os quatro finalistas da nona edição do prémio está no Museu Berardo até 2 de Junho, viajando dia 18 para o Instituto Tomie Ohtake de São Paulo, onde fica até 28 de Julho. Os premiados anteriores do BESPhoto foram Mauro Pinto (2012), Manuela Marques (2011), Filipa César (2009), Edgar Martins (2008), Miguel Soares (2007), Daniel Blaufuks (2006), José Luís Neto (2005) e Helena Almeida (2004).

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