Ministra afirma que SAP de Valença representava "falsa segurança" para os utentes

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Os utentes têm feito vários protestos Luís Efigénio/Nfactos (arquivo)

A ministra da Saúde, Ana Jorge, considerou ontem que o Serviço de Atendimento Permanente (SAP) de Valença proporciona uma "falsa segurança", justificando desta forma a decisão do seu encerramento.

Na audição na Comissão Parlamentar de Saúde, Ana Jorge disse que poucas pessoas acorriam ao SAP, principalmente à noite. Explicou também que este serviço não tem utilidade na região, na medida em que o serviço não tem capacidade de prestar cuidados médicos de maior capacitação técnica. E sublinhou que o serviço é inútil no panorama dos restantes centros de saúde do distrito, nomeadamente tendo em conta que os serviços de emergência básica de Monção e Ponte de Lima ficarão abertos até à meia-noite para atender situações de fácil resolução. "O que estamos a falar é da existência de um serviço médico entre a meia-noite e as oito. A maior parte das situações pode ser atendida no próprio dia ou no dia seguinte, quando são situações banais. Mas quando se trata de uma urgência, este atendimento não pode ser feito num centro de saúde, como nunca pôde", explicou a ministra.

Em casos urgentes e com necessidade de intervenção mais especializada, a ministra assegura que o utente será transportado para um serviço de "emergência básica": "A população de Viana do Castelo tem dois serviços de emergência básica e um serviço de urgência médico-cirúrgica para as situações urgentes [...] isso é que é segurança", frisou.

Um deputado do PSD, que integra o executivo da Câmara de Valença, denunciou, no entanto, que a ministra da Saúde "desconhece" as "novas realidades e circunstâncias" do Alto Minho, afirmando que "não há serviços de urgência básica" próximos das pessoas e que faltam "meios de diagnóstico" aos centros de saúde para os habilitar a tratar adequadamente os utentes. Alegadamente, numa situação grave de saúde, os doentes teriam de ir de Valença para Monção para serem diagnosticados, e depois fazer a viagem inversa e percorrer mais caminho até Viana do Castelo até poderem ser tratados convenientemente. Um processo que, segundo o deputado, demoraria uma hora e meia e que podia ser evitado se fosse criado um centro de saúde entre as regiões de Caminha, Melgaço e Valença.

O grupo parlamentar do Partido Comunista efectuou também, com especial ênfase, críticas ao contrato realizado entre o Estado e a empresa Escala-Braga, entidades que partilham actualmente os cargos de gestão no Hospital de São Marcos. Ao que é alegado, esta parceria público-privada tem vindo a monopolizar o sistema de saúde localizado em Braga, o que faz com que os doentes tenham de pagar 63 por cento do valor real de alguns medicamentos, quando estes devem ser disponibilizados gratuitamente.

No final da audição, que demorou quatro horas, a ministra apelou a uma "capacitação" de que os cidadãos devem ganhar para perceberem como usufruir da melhor forma do SNS. Desta forma será possível optimizar a prestação de serviços de saúde e os utentes podem socorrer-se, com menos perdas de tempo e de uma melhor forma, de todos os serviços que lhes são disponibilizados.

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