O lixo de Hamlet

Jorge Silva Melo encena um dos mais enigmáticos textos teatrais: Máquina Hamlet, de Heiner Müller. Até 22 de Fevereiro, no Teatro da Politécnica, estaremos diante das ruínas da Europa.

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Jorge Gonçalves

“Eu era Hamlet. Estava junto ao mar e falava com as ondas BLA BLA BLA, atrás de mim, as ruínas da Europa.” São estas as primeiras palavras que escutamos em Máquina Hamlet e esta imagem inicial de ruínas que tresandam a morte e a fim não há-de largar-nos mais durante todo o espectáculo — “o espectáculo ou a ruína do espectáculo, não sabemos bem”, diz o encenador Jorge Silva Melo. E é isso que nos é dado: à medida que avançamos por Máquina Hamlet, nada perdura, personagens e situações erguem-se e esfumam-se à nossa frente, num ritmo de evocação e dissolução permanente. As ruínas são, por isso, início e fim. Heiner Müller “era um devorador — ia metendo aqui tudo o que lhe aparecia”, acredita Silva Melo.

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“Eu era Hamlet. Estava junto ao mar e falava com as ondas BLA BLA BLA, atrás de mim, as ruínas da Europa.” São estas as primeiras palavras que escutamos em Máquina Hamlet e esta imagem inicial de ruínas que tresandam a morte e a fim não há-de largar-nos mais durante todo o espectáculo — “o espectáculo ou a ruína do espectáculo, não sabemos bem”, diz o encenador Jorge Silva Melo. E é isso que nos é dado: à medida que avançamos por Máquina Hamlet, nada perdura, personagens e situações erguem-se e esfumam-se à nossa frente, num ritmo de evocação e dissolução permanente. As ruínas são, por isso, início e fim. Heiner Müller “era um devorador — ia metendo aqui tudo o que lhe aparecia”, acredita Silva Melo.