O “Brexit” não é o único problema da Europa. Nem o maior

O “Brexit” é apenas a manifestação mais evidente de um mal que corrói a Europa e as suas democracias. Esse mal é o nacionalismo.

1. O Financial Times descrevia recentemente o Presidente francês, Emmanuel Macron, como um misto de De Gaulle e Jacques Delors com um tudo-nada de Napoleão. Faz algum sentido, embora o olhar de um britânico sobre um francês (e vice-versa) tenha sempre alguma coisa de especial, de tal modo é longa e complexa a relação entre as duas velhas nações europeias “irmãs-inimigas”. De Gaulle é a sombra perene de todos os habitantes do Eliseu na V República – o molde a partir do qual cada um deles encarna a França. O general que resgatou a honra da França na II Guerra tinha um olhar céptico sobre a integração europeia e via a adesão do Reino Unido como “cavalo de Tróia” da América, que queria manter a uma certa distância. Vetou a entrada do Reino Unido até sair do Eliseu, em 1968. Delors entra na definição do diário britânico porque não há qualquer dúvida sobre o forte europeísmo de Macron, aliás, o único líder de um grande país que tem uma agenda ambiciosa para a Europa. Napoleão é apenas um adorno histórico, que ajuda a sublinhar “la grandeur de la France”, mesmo que o imperador-revolucionário tenha sido vencido no mar e em terra pela Royal Navy e pela Royal Army. Na Europa, a História está sempre presente, para o bem e para o mal.

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1. O Financial Times descrevia recentemente o Presidente francês, Emmanuel Macron, como um misto de De Gaulle e Jacques Delors com um tudo-nada de Napoleão. Faz algum sentido, embora o olhar de um britânico sobre um francês (e vice-versa) tenha sempre alguma coisa de especial, de tal modo é longa e complexa a relação entre as duas velhas nações europeias “irmãs-inimigas”. De Gaulle é a sombra perene de todos os habitantes do Eliseu na V República – o molde a partir do qual cada um deles encarna a França. O general que resgatou a honra da França na II Guerra tinha um olhar céptico sobre a integração europeia e via a adesão do Reino Unido como “cavalo de Tróia” da América, que queria manter a uma certa distância. Vetou a entrada do Reino Unido até sair do Eliseu, em 1968. Delors entra na definição do diário britânico porque não há qualquer dúvida sobre o forte europeísmo de Macron, aliás, o único líder de um grande país que tem uma agenda ambiciosa para a Europa. Napoleão é apenas um adorno histórico, que ajuda a sublinhar “la grandeur de la France”, mesmo que o imperador-revolucionário tenha sido vencido no mar e em terra pela Royal Navy e pela Royal Army. Na Europa, a História está sempre presente, para o bem e para o mal.