Dicionário de Joel Serrão chega ao 25 de Abril

Quase cinco décadas depois, o Dicionário de História de Portugal chega ao 25 de Abril. São cerca de 800 entradas que sistematizam a história do período revolucionário, pela mão de 159 investigadores.

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O período revolucionário foi sistematicamente tratado José Antunes

"Quarenta anos depois do 25 de Abril os organizadores deste dicionário pretenderam trazer até hoje o Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão, centrando a sua atenção no período revolucionário." A síntese da obra, que será lançada na quinta-feira, é feita ao PÚBLICO por Maria Inácia Rezola.

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"Quarenta anos depois do 25 de Abril os organizadores deste dicionário pretenderam trazer até hoje o Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão, centrando a sua atenção no período revolucionário." A síntese da obra, que será lançada na quinta-feira, é feita ao PÚBLICO por Maria Inácia Rezola.

Investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), Maria Inácia Rezola é uma das coordenadoras da obra, com Paula Borges Santos, investigadora do mesmo instituto, e António Reis, especialista em História Cultural e das Mentalidades Contemporânea, constituinte, fundador do PS e antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano.

Ao fim de quatro anos de trabalho e pela mão da mesma editora que publicou todos os volumes das anteriores fases do Dicionário de História de Portugal, a Livraria Figueirinhas, é agora lançada a extensão da obra iniciada nos anos 60 do século XX por Joel Serrão (seis volumes), a qual foi no final dos anos 90 prolongada até ao período do Estado Novo por António Barreto e Maria Filomena Mónica (dois volumes). Desta vez, o período temporal vai do 25 de Abril de 1974 à data da primeira eleição democrática de um presidente da República a 28 de Junho de 1976.

A apresentação na quinta-feira, na FNAC do Chiado, em Lisboa, será feita por Pedro Aires de Oliveira, presidente do IHC, e Marina Costa Lobo, investigadora do Instituto de Ciências Sociais.

A nova fase do dicionário será editada primeiro em oito volumes em formato A5, estando prevista para mais tarde a edição em formato A4 e capa cartonada, à semelhança dos volumes das anteriores fases de edição.

Organizado em cerca de 800 entradas, que vão da biografia pessoal à história das instituições, movimentos sociais e políticos, ideologias, religião e literatura, a obra será fechado por uma lista dos nomes de todos os deputados à Assembleia Constituinte e à primeira Assembleia da República.

Quanto à organização da investigação, Maria Inácia Rezola explica que os coordenadores procuraram "ter em conta a complexidade do período estudado nas suas dimensões políticas, culturais e económicas". Para levar a tarefa a bom porto, contaram com uma equipa de 159 investigadores de diversas áreas, de diversas idades, de diversas origens historiográficas e académicas.

A preocupação foi "assegurar a pluralidade de posicionamentos no tratamento de um período complexo", afirma Rezola. E elogia a qualidade dos colaboradores: "As pessoas empenharam-se, foram excepcionais."

Entre os nomes que participam nesta terceira fase do dicionário encontra-se António Costa Pinto, com entradas sobre descolonização e saneamentos, André Freire e Marco Lisi, com várias entradas sobre eleições, António José Telo, que escreve sobre os governos provisórios, e António Reis, que assina entradas como o I Governo Constitucional, o marxismo, o PS e a Revolução de 25 de Abril de 1974.

O divórcio é tratado por Anália Torres. O golpe de 28 de Setembro de 1974 é de Cesário Borga. Carlos Gaspar escreve sobre Álvaro Cunhal e sobre socialismo. Carlos Leone e Filipa Barata abordam vários escritores como Agustina Bessa Luís e Jorge de Sena. E David Castaño escreve sobre António Guterres e Mário Soares, entre outros políticos. Já a entrada sobre Marcello Caetano é elaborada por Fernando Rosas.

O falecido José Medeiros Ferreira escreveu sobre Assembleia Constituinte e Movimento das Forças Armadas. O comunismo, o PCP e várias biografias são entradas a cargo de João Madeira. Jorge Miranda escreve sobre a Constituição de 1976 e José Manuel Tengarrinha sobre o MDP/CDE. Já figuras como Vítor Alves, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Gonçalves e Vasco Lourenço são da responsabilidade de Josep Sánchez Cervelló.

Karin Wall e Ana Nunes de Almeida assinam a entrada sobre família. Luciano Amaral escreve sobre temas como a CUF, economia, emprego/desemprego e grupos económicos. Luís Salgado de Matos aborda as nacionalizações. Miguel Cardina é responsável por entradas como o maoísmo. Já o Pacto MFA-Partidos é assinado por Miguel Galvão Teles.

Maria Inácia Rezola é autora de entradas como Melo Antunes, Conselho da Revolução, Documento dos Nove, 11 de Março, 25 de Novembro, Junta de Salvação Nacional e unicidade sindical. O PPD é da responsabilidade de Maria José Stock e Filipe Montargil; este último é autor de várias entradas biográficas, entre as quais a de Sá Carneiro e a de Marcelo Rebelo de Sousa.

Manuela Tavares escreve sobre o MDM e o MLM. Paula Borges Santos aborda a Igreja Católica, Maria de Lourdes Pintasilgo e D. António Ribeiro. A Aliança Povo-MFA é da autoria de Rui Bebiano. E Riccardo Marchi assina entradas como extrema-direita, ELP, MDLP e várias biografias.

Rui Pena Pires escreve sobre o IARN e sobre os retornados. Rui Ramos sobre o CDS" e os presos políticos. Raquel Varela é responsável por entradas como os comités de defesa da Revolução e o controlo operário. Rui Vieira Nery escreve sobre músicos como José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes e Amália Rodrigues.