OPA do Caixabank sobre o BPI "vai mesmo avançar"

A garantia foi dada pelo grupo Violas, o maior accionista português do banco.

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A operação de aquisição foi revelada em Abril Jose Manuel Ribeiro/Reuters (arquivo)

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) do espanhol Caixabank sobre o BPI "vai mesmo avançar", anunciou numa entrevista o administrador da holding Violas Ferreira, explicando que o grupo Violas vai deixar o BPI "seguir o seu caminho, para as mãos dos espanhóis".

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A Oferta Pública de Aquisição (OPA) do espanhol Caixabank sobre o BPI "vai mesmo avançar", anunciou numa entrevista o administrador da holding Violas Ferreira, explicando que o grupo Violas vai deixar o BPI "seguir o seu caminho, para as mãos dos espanhóis".

Numa entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, o administrador da holding, Tiago Violas Ferreira, considerou que a OPA do Caixabank sobre o BPI "é inevitável". O grupo Violas, incapaz de continuar a resistir na justiça e na procura de apoios, deita a toalha ao chão e deixa o banco seguir o seu caminho, para as mãos dos espanhóis, evitando assim ser um entrave às exigências do Banco Central Europeu (BCE) e às pretensões da maioria dos accionistas, precisou Tiago Violas Ferreira.

O Grupo Violas é o maior accionista português do BPI, com uma participação de 2,7% do capital.

Na entrevista, Tiago Violas Ferreira considera que chegou a altura de pôr fim às divergências, lembrando que a luta que a família travou teve apenas por objectivo manter o projecto inicial do banco, com uma estrutura accionista plural e evitar que o seu centro de decisão passasse para Espanha, como vai acontecer.

Apesar de ter apenas 2,7% do capital, Tiago Violas Ferreira confessa que "acreditava sinceramente" que fosse possível conseguir o apoio de outros e manter o banco independente, e afirmou que se sente "desiludido".

O maior accionista português adiantou que, não tendo sido possível evitar a OPA, resta agora ao grupo afastar-se, porque não pretende ficar "refém de uma sucursal do Caixabank em Portugal".

Em relação ao preço da OPA do Caixabank, Tiago Violas Ferreira adiantou que este não foi o driver das acções do grupo e admitiu que o preço 1,11 euros por acção é suficiente mas não é justo, porque não considera a operação em Angola. O responsável referiu ainda que espera que a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários peça uma auditoria para definir o real valor das acções do BPI, considerando a operação doméstica e a angolana.

Com a OPA do Caixabank e olhando para o resto do mercado, Tiago Violas Ferreira lembrou que a banca privada nacional vai ficar nas mãos de capital estrangeiro, ou seja, 60% dos centros de decisão passam para o estrangeiro, comprometendo a economia nacional. Neste cenário, segundo Tiago Violas Ferreira, resta a CGD, que, sendo um banco público, não serve o mérito dos projcetos.

A OPA do Caixabank sobre o BPI, com um preço de 1,113 euros por acção, foi lançada pelo banco catalão na sequência do fracasso de negociações com a empresária angolana Isabel dos Santos. A OPA do CaixaBank está condicionada à eliminação do limite de direitos de votos no BPI e à aquisição de mais de 50% do capital.

A Assembleia Geral de accionistas do BPI está marcada para a próxima quarta-feira e acontece depois de duas tentativas de reunião, na sequência das providências cautelares apresentadas pelo grupo Violas Ferreira.