Concertos que tratam os bebés como público vencem prémio europeu

Projecto português da companhia Musicalmente distinguido na categoria inovação do YEAH! Young EARopean Award.

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O objectivo do YEAH!, dirigido a orquestras, grupos, salas de espectáculo, músicos, compositores, autores, pedagogos e artistas, é distinguir “mentes criativas e ideias musicais que desenvolvam o entusiasmo das crianças e dos jovens pela música para além da cultura popular jovem”, lê-se no site.

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O objectivo do YEAH!, dirigido a orquestras, grupos, salas de espectáculo, músicos, compositores, autores, pedagogos e artistas, é distinguir “mentes criativas e ideias musicais que desenvolvam o entusiasmo das crianças e dos jovens pela música para além da cultura popular jovem”, lê-se no site.

Para Paulo Lameiro, director artístico do projecto que é desenvolvido pela companhia Musicalmente, o mais importante neste prémio é o facto de "reconhecer que este público pode ter uma fruição artística de nível superior, que não apenas a que está ligada ao serviço educativo". Isto é particularmente valioso num mundo, o da música para bebés, em relação ao qual "ainda existe muito preconceito".

E essa é aliás, segundo explicou ao PÚBLICO, a característica principal dos Concertos para Bebés: "Partimos do pressuposto de que não há intenção pedagógica no acto performativo". O bebé é aqui "entendido como público" por inteiro, o que distingue este projecto de muitos outros que existem nesta área.

Além disso, o que fazem são concertos. "Há uma dimensão plástica e dramatúrgica, mas fazemos concertos", explica Paulo, sublinhando que abarcam a música erudita desde a antiga à contemporânea. Mais uma vez, isso distingue-os de companhias que são em primeiro lugar teatro musical. Também aqui o prémio vem ajudar. Apesar de o Musicalmente já ter uma grande actividade internacional — os Concertos para Bebés fora de Portugal representam 30% da actividade da companhia, que toca habitualmente por toda a Europa, mas também na Ásia e América — a visibilidade que agora ganharam poderá abrir portas diferentes. "A maior parte da nossa actividade é ainda em festivais de teatro e não de música. O prémio veio abrir essas portas ao legitimar um trabalho nesta faixa etária fora do domínio da pedagogia".

A faixa etária com a qual trabalham vai dos zero aos cinco anos, o que significa que desde que existem, há 15 anos, os Concertos já acompanharam várias crianças — e foram conquistando pais e avós. "Há oito anos tomámos a decisão de abrir a bilheteira a adultos sem crianças", conta o director artístico.

Para o seu público em Portugal — são residentes no Teatro Olga Cadaval, em Sintra, e no Teatro Miguel Franco, em Leiria, onde estão baseados — apresentam um programa novo todos os meses, que pode ser inspirado num país, um compositor, uma época, um instrumento, uma pessoa. No próximo domingo vão apresentar em Sintra um programa com música do Japão, em colaboração com duas solistas japonesas, e para o qual vão ter no palco um aquário com carpas koi. Em Outubro vão estar a tocar jazz com Mário Laginha, em Dezembro vão ter um coro infantil com 40 crianças dos 6 aos 14 anos a cantar para bebés, e em Fevereiro de 2014 estarão dedicados à música tradicional.

No palco são, como núcleo base, oito pessoas: quatro instrumentistas e quatro "intérpretes de tapete", o que inclui uma bailarina, dois cantores e um maestro. A presença destes é fundamental para fazer a ponte entre os músicos que estão com os instrumentos e os bebés, que começam geralmente sentados ao colo dos pais, instalados em almofadas, mas que depois se aventuram pelo palco e exploram os instrumentos.

Os únicos limites são os da segurança, de resto os bebés são livres de andar pelo palco. E, para que se sintam confiantes, os músicos começam por tocar-lhes ainda antes do início do concerto. "O bebé sente-se mais seguro e consegue viver momentos musicais intensos".

Notícia actualizada às 18h45 com declarações do director artístico