Pastor americano detido antes de destruir 2998 exemplares do Corão
Iniciativa de Terry Jones para assinalar os 12 anos sobre os atentados do 11 de Setembro.
As iniciativas de Terry Jones já tiveram consequências graves e apesar dos apelos à contenção por parte do Pentágono, devido ao receio de represálias contra soldados norte-americanos, estas prosseguiram. Após um primeiro protesto que tinha como objectivo queimar 200 exemplares do livro sagrado do islão no dia 11 de Setembro de 2010, mas que acabou por ser cancelado, Jones e a sua congregação destruíram um exemplar em Março de 2011 e um outro em Abril de 2012. Ainda no ano passado, o nome do pastor surgia entre os apoiantes à promoção do filme anti-islão Innocence of Muslims.
A verdade faz-nos mais fortes
Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.
As iniciativas de Terry Jones já tiveram consequências graves e apesar dos apelos à contenção por parte do Pentágono, devido ao receio de represálias contra soldados norte-americanos, estas prosseguiram. Após um primeiro protesto que tinha como objectivo queimar 200 exemplares do livro sagrado do islão no dia 11 de Setembro de 2010, mas que acabou por ser cancelado, Jones e a sua congregação destruíram um exemplar em Março de 2011 e um outro em Abril de 2012. Ainda no ano passado, o nome do pastor surgia entre os apoiantes à promoção do filme anti-islão Innocence of Muslims.
Após a destruição dos exemplares, tanto no Afeganistão como no Médio Oriente surgiram protestos violentos. No mesmo mês em que foi destruído o primeiro livro, pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas no Afeganistão. Em Abril de 2011, em Kandahar, no Sul daquele país, pelo menos nove pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas durante uma manifestação. Um dia antes, sete pessoas ao serviço da ONU morreram após um protesto semelhante em Mazar-i-Sharif.
Devido ao apoio ao filme Innocence of Muslims, Jones foi condenado in absentia por um tribunal egípcio à pena de morte, a mesma sentença decidida contra sete coptas radicais egípcios. O norte-americano nunca esteve presente em qualquer sessão do julgamento e até hoje não compareceu junto da justiça do país.
Esta quarta-feira, Terry Jones e Marvin Sapp Jr., também pastor, foram detidos depois de terem sido acusados pelo transporte ilícito de combustível e de posse de arma de fogo, segundo o jornal Orlando Sentinel. Ao mesmo jornal, a polícia confirmou que na carrinha em que os dois homens seguiam foi ainda encontrada uma espécie de grelhador com 2998 exemplares do Corão no interior, regados com querosene.
Os dois homens preparavam-se para destruir os livros num parque em Mulberry, no condado de Polk, Florida. À polícia, Jones confessou que pretendia destruir os quase três mil exemplares do Corão, sendo que cada um “todas as pessoas que foram assassinadas pelo islão” nos ataques às Torres Gémeas, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington.
No site de Terry Jones “Stand up America” continuavam esta quinta-feira publicadas as 12 razões para a iniciativa que deveria ter ocorrido na quarta-feira. Acompanhado por fotografias dos ataques de 2001, Jones escreve que “queimar o Corão não é uma ameaça ou um apelo à violência” e sublinha que não defende que o “Corão deve ser banido”. Para o pastor “as palavras do Corão são perigosas espiritual, política e socialmente”. Aos muçulmanos, Jones deixa o convite para abandonarem o islão. “Não há qualquer poder no Corão. Alá é um deus falso”.