Indústria diz que bacalhau português está em risco

Noruegueses e islandeses querem que Bruxelas aprove o uso de polifosfatos no bacalhau para tornar o peixe mais branco.

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Paulo Pimenta

A Associação dos Industriais do Bacalhau (AIB) sublinhou nesta terça-feira que a proposta “apenas prevê um período de transição para a introdução dos polifosfatos, deixando nas mãos dos fornecedores e da indústria portuguesa uma possível solução para a situação”.

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A Associação dos Industriais do Bacalhau (AIB) sublinhou nesta terça-feira que a proposta “apenas prevê um período de transição para a introdução dos polifosfatos, deixando nas mãos dos fornecedores e da indústria portuguesa uma possível solução para a situação”.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da AIB, Paulo Mónica, salientou que “a proposta não contempla a posição de Portugal e é evasiva quanto à forma e ao método de controlo e fiscalização destes aditivos químicos”.

Face à falta de garantias, Paulo Mónica defendeu o adiamento da votação e pediu mais tempo para “incluir os ajustes que Portugal defende”: “A proposta final só deve ser votada quando houver garantias de que os polifosfatos não chegam ao bacalhau português”.

Paulo Mónica frisou que, “tal como está”, a actual proposta é “prejudicial para a indústria portuguesa”, mas também para os consumidores. “O facto de não ser possível identificar se o produto tem ou não polifosfatos pode ser atentatório, do ponto de vista dos consumidores”, declarou.

A AIB contestou a Comissão Europeia por ceder, “mais uma vez, aos países do Norte”, deixando “totalmente desprotegidos os países do Sul, que vão receber peixe com químicos”, e diz que “a palavra do fornecedor não basta”, invocando os “interesses comerciais” da Noruega, principal fornecedor do bacalhau, e também o “principal instigador” da proposta.

“Se a indústria nacional tiver de aumentar os custos de secagem por causa dos polifosfatos, a Noruega fica com maior margem de lucro, vendendo um produto com mais água pelo preço de bacalhau”, criticou a AIB, acrescentando que “é urgente” fazer reconhecer, em Bruxelas, o bacalhau português como especialidade regional.

A proposta sobre utilização de fosfatos no bacalhau tem vindo a ser adiada desde Setembro passado, para introduzir medidas que atenuem o impacto desta alteração legislativa sobre a indústria portuguesa.

A proposta, apresentada pela Islândia e pela Noruega, visa obter a autorização da Comissão Europeia para introduzir aditivos alimentares no bacalhau de salga húmida.

O documento que vai ser votado na quinta-feira inclui uma alínea relativa ao bacalhau português que explica o processo de secagem tradicional usado em Portugal e indica que “o uso de polifosfatos pode influenciar este processo de secagem”, bem como “prejudicar a cor típica, a textura e o sabor do bacalhau”.

“Para permitir que os produtores de bacalhau se adaptem à situação em que o peixe que é tratado com fosfatos possa ser colocado no mercado, deve ser proposto um período de transição”, refere ainda o documento.

O embaixador da Noruega em Portugal, Ove Thorsheim, considerou na semana passada que “a parte norueguesa ficou muito satisfeita” com esta proposta, sublinhando que apoia “os esforços feitos para preservar o bacalhau tradicional”.

Já nesta segunda-feira, a ministra da Agricultura e Pescas, Assunção Cristas, afirmou que a Comissão Europeia vai monitorizar o comércio de bacalhau para Portugal, de modo a salvaguardar a comercialização do peixe de acordo com a cura tradicional e sem polifosfatos.

Portugal tem reivindicado que o futuro regulamento comunitário de cura química do bacalhau contemple uma excepção que assegure que se pode continuar a consumir bacalhau de acordo com a cura tradicional de salga, decorrendo actualmente negociações entre o Governo e a Comissão Europeia.